O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2018 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 agosto 2015

Cobertura de um julgamento

O "Canal de Moçambique" está a fazer a cobertura do julgamento de Carlos Nuno Castel-Branco, Fernando Mbanze e Fernando Veloso (este último ausente por motivos de doença), aqui.
Adenda às 06:48 de 01/09/2015: confira a descrição feita pelo "Notícias" digital de hoje, aqui.
Adenda 2 às 11:11 de 02/09/2010: leia a descrição feita pelo "@Verdade" digital, aqui.

Quádruplo lançamento em Maputo a 01 de Outubro

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A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [3]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Terceiro número da série. No número anterior deixei as seguintes perguntas: é o poder uma coisa, algo tangível, é o poder uma substância material que certos seres humanos excepcionais possuem em si ou dentro de si? O poder é individual, é pertença de um indivíduo?
Na verdade, o poder é uma palavrinha mágica que, no seu sentido mais imediato, digamos sinestésico, põe-nos logo a alma em sentido ou ajoelhada em santa reverência. Creio que todos nós temos do poder a imagem de algo tangível, mensurável, pegável. Por isso é corrente dizermos e escrevermos, por exemplo, coisas como "ele tem poder" ou "chegou ao poder" ou "o seu poder é visível".
É bem mais difícil conceber o poder não como uma coisa à mão de semear mas como uma relação ou, melhor, como produto de uma relação, de uma relação onde estão em jogo mútiplas coisas ao mesmo tempo.
Na verdade, o poder é produto de uma relação complexa, física e psíquica. Não é uma substância fisicamente tangível e não é pertença individual. O poder é, intrinsecamente, produto de um grupo.
Como um dia afirmou Hannah Arendt, o poder é sempre pertença de um grupo, apenas existindo enquanto o grupo estiver unido. Eis a sua posição no livro "Da violência": "Quando dizemos que alguém está “no poder” estamos na realidade nos referindo ao fato de encontrar-se esta pessoa investida de poder, por um certo número de pessoas, para atuar em seu nome. No momento em que o grupo, de onde se originara o poder (potestas in populo, sem um povo ou um grupo não há poder), desaparece, “o seu poder” também desaparece."

Partidos políticos e distribuição de cargos

De Max Weber em texto publicado em 1919: "O que os chefes de partido dão hoje como pagamento de serviços leais são cargos de todo o tipo em partidos, jornais, confrarias, Caixas de Segurança Social e organismos municipais ou estatais. Toda e qualquer luta entre partidos visa não só um fim objectivo, mas ainda e acima de tudo o controlo sobre a distribuição de cargos." [O político e o cientista. Lisboa: Editorial Presença, s/d, p. 64]

No "Savana" 1129 de 28/08/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

30 agosto 2015

Um olhar de criança

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [2]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Segundo número da série. Para arrumar melhor as ideias, importa salientar que é necessário mostrar o que entendo por poder, poder político, gestão política, dominação política, direção política e legitimidade. Começo pelo poder através de perguntas. É o poder uma coisa, algo tangível, é o poder uma substância material que certos seres humanos excepcionais possuem em si ou dentro de si? O poder é individual, é pertença de um indivíduo?

Curto-circuito da razão na Escola Secundária de Nampula [10]

Décimo número da série. Permitam-me retomar a hipótese dos três momentos interactivos sugeridos no terceiro número desta série - todos já abordados -, a saber:
1. Tensão motivada pelas provas
2. Sobreestimação colectivizada de um problema aparentemente eléctrico
3. Pânico acentuado pela memória local e nacional de confrontos militares.
Então, o que passou não pode ser visto de forma unívoca. Não há nenhuma evidência de explosão nem de curto-circuito eléctrico suficientemente poderoso para desencadear o pânico colectivo gerado na Escola Secundária de Nampula, a maior do Norte do país. O que provavelmente se passou tem a ver com a interacção dos três fenómenos sugeridos. Interagindo, influenciando-se mutuamente nas mentes dos estudantes, sem que, no geral, estes estivessem deles conscientes, os três fenómenos geraram a sobreestimação.

29 agosto 2015

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [1]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Esta é uma série na qual escreverei um pouco sobre o poder político, expressão que parece dizer tudo mas que é, afinal, complexa. Os eixos da série são o partido Frelimo e o presidente desse partido e da República, Eng.º Filipe Nyusi.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1129, de 28/08/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

28 agosto 2015

Dois tipos de pistolagem por encomenda

A hipótese é a seguinte: existem dois grandes tipos de pistolagem por encomenda, [1] aquele no qual o objectivo é liquidar uma voz incómoda para a reprodução política de um determinado sistema económico; e [2] aquele no qual o objectivo é liquidar uma voz incómoda para a reprodução meramente económica de um determinado ramo do Capital.
Nota: a expressão pistolagem por encomenda é adaptada da obra do sociólogo brasileiro César Bandeira intitulada Cotidiano despedaçado, Cenas de uma violência difusa. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2008, pp. 91-103. Esse livro foi-me gentilmente oferecido pelo autor quando, a seu convite, estive em Fortaleza em 2009.

Coleção mundial já com 14 títulos


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A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [série]

Amanhã neste diário

Messianismo político

Quando analisamos, por exemplo, as cartas de leitores de jornais, as redes sociais digitais e os blogues, verificamos ser muito forte o desejo generalizado de um messias político, de um ser capaz de resolver os problemas sociais num ápice, com uma varinha mágica. O messianismo político é especialmente forte em meios sociais nos quais se conjugam três fenómenos: (1) grande peso das tradições e das regras costumeiras; (2) percepção da erosão dessas tradições e dessas regras; (3) níveis de pobreza multidimensional elevados.

27 agosto 2015

Apelo

Pemba, a dialéctica

No "@Verdade" digital: "Se, por um lado, despontam mansões, resorts, hotéis e condomínios de luxo, por outro, à mesma velocidade, crescem os assentamentos informais em que centenas de pessoas se debatem com a falta de saneamento básico. Eis a nova imagem da considerada terceira maior baía do mundo." Aqui.

Estereótipo

O estereótipo é a imagem distorcida de uma pessoa, de um grupo ou de um fenómeno, tão mais forte e sistemática quanto mais forte e sistemática for a interacção e, especialmente, a luta entre grupos por acesso a recursos fundamentais.

Bode expiatório

Quando confrontados com problemas graves, procuramos sempre encontrar um responsável, um bode expiatório, algo ou alguém - regra geral alguém - que de nós receba a fúria e a catarse purificadoras.

26 agosto 2015

Curto-circuito da razão na Escola Secundária de Nampula [9]

Nono número da série. Escrevi no número anterior que os muitos alunos da Escola Secundária de Nampula não são alheios à história e muito menos aos conflitos e aos tiros. E sugeri que se tomasse em conta o tiroteio na cidade de Nampula entre polícias governamentais e guerrilheiros da Renamo em 2012 e 2013, a conferir em várias entradas aqui. Permitam-me, agora, retomar a hipótese dos três momentos interactivos sugeridos no terceiro número desta série - todos já abordados -, a saber:
1. Tensão motivada pelas provas
2. Sobreestimação colectivizada de um problema aparentemente eléctrico
3. Pânico acentuado pela memória local e nacional de confrontos militares.

25 agosto 2015

Nova frente de cidadania ambiental

Confira aqui

Pergunta em contramão

Serão a leitura e a escrita os pilares da escolaridade e da educação de qualidade?
Adendaseguir-se-iam perguntas do género: "O que é qualidade?", "Qualidade para que grupo ou grupos sociais?". Etc.

Sobre o destaque atribuído a uma posição

O jornal "Notícias" dedicou toda a segunda página da sua edição de ontem, secção "Grande plano", a uma entrevista concedida em Maputo pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Sudão. Segundo o lide e o corpo da entrevista, o ministro referiu-se a vários temas, mas o jornal, através do jornalista Manuel Mucari, destacou a oito colunas o tema do título em epígrafe. Versão digital aqui.
Observação: na versão física, o antetítulo da entrevista é "Vaticina MNE sudanês" e o título é "Fim do TPI em África está próximo"; na versão digital, antetítulo e título aparecem contectados por dois pontos. Seria interessante saber por que razão foi dado destaque ao tema do título da imagem acima.
Adenda: no portal do Tribunal Penal Internacional, confira várias postagens aqui.

Sobre as armadilhas do respeito pelo outro

É muito frequente encontrarmos pessoas de boa fé a esgrimir posições do género: é preciso respeitar o outro. Por outras palavras, é necessário respeitar as diferenças. Porém, essas posturas estão cheias de armadilhas. Na verdade, seria preocupante defender-se que devem ser respeitadas as opiniões, entre outros, dos assassinos, dos torcionários, dos genocidas, dos estupradores e dos racistas.

24 agosto 2015

Notas sobre produção do terror colectivo

Exercício do despojamento total, o terror colectivo marca em permanência a história das sociedades. Porém, o que está aqui em jogo não é o terror colectivo provocado por exemplo por um furacão ou por um terramoto, mas o terror colectivo intencionalmente provocado, digamos que politicamente provocado. A guerrilha assassina que mata indiscriminadamente, mutila corpos e destrói pertences, é um dos exercícios mais cruéis do despojamento total. Os artífices desse exercício conseguem regra geral quatro coisas:
1. Despolitizar os cidadãos pela inoculação de um medo múltiplo e recorrente;
2. Desterritorializar os cidadãos levando-os à fuga e ao exílio;
3. Destatizar os cidadãos, destruindo a rede de infra-estruturas estatais de serviços e proteção e quebrando todos os vínculos com a cidadania e com o Estado;
4. Amorfizar o comportamento social, transformando os cidadãos em seres abúlicos.
Não poucas vezes, o exercício de despojamento total é levado a cabo por organizações que se reclamam de um deus, de uma civilização, de um suposto desagravo histórico ou, até, da democracia.

No "Savana" 1128 de 21/08/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Livros de uma coleção em crescimento desde 2013 [14]

Décimo quarto número da série. Autoria do livro com capa e contracapa em epígrafe: Tomás Vieira Mário de Moçambique, Ethel Corrêa do Brasil e Nuno Ramos de Almeida de Portugal. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Sobre a violência

Sobre a violência como "parte inevitável do ser humano", leia um texto de Rowan Williams, aqui. [agradeço ao RC o envio da referência]

23 agosto 2015

Dois elos

Dois elos a conferir na academia.edu e no google+, respectivamente aqui e aqui.

Novo chefe nova equipa

Tenhamos em conta o nosso Estado: novo chefe significa mudar a chefia da equipa de trabalho. O princípio é simples: assegurar lealdade. Assim tudo é um cíclico processo de rotação de equipas e de lealdades, como se processo natural.

Livros de uma coleção em crescimento desde 2013 [13]

Décimo terceiro número da série. Autoria do livro com capa e contracapa em epígrafe: Salomé Marivoet de Portugal e, do Brasil, Marcelo Bittencourt, Victor de Melo e Marcel Tonini. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Honwana e a independência

De Luís Bernardo Honwana: “Neste país onde a história ajuda, onde temos o tal ‘mito fundador’, a independência está tão desvalorizada que aqueles que participaram para a sua construção às vezes se envergonham de reivindicar a tal participação”. Aqui.
Observação: Luís Honwana coloca indiscutivelmente um problema fundamental. Só falta, agora, estudar as causas.

22 agosto 2015

O Presidente passou a pé na Engels

Esta manhã, caminhando em fato de ginástica, ar afável, passo acelerado, o Presidente da República, Eng.º Filipe Nyusi, passou na Av.ª Friedrich Engels, cidade de Maputo, Bairro da Polana, rodeado de seguranças.
Observação: os nossos presidentes deviam andar mais a pé de visita a bairros, contornar de vez em quando os trajectos protocolarmente criados. Isso permitir-lhes-ia um contacto directo com a realidade, evacuando os véus que os trajectos rodoviários comportam.