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02 Outubro 2014

Uma conferência

Ainda sobre eleições, igrejas e curandeiros

Escrevi há dias o seguinte: "Igrejas (especialmente as de teor milagreiro) e consultórios de curandeiros têm sido muito frequentados nesta campanha eleitoral." Aqui. Como exemplo desse fenómeno no tocante aos curandeiros, tendes o documento - absolutamente notável por múltiplas razões - com a imagem inserta logo abaixo (reparai bem na linguagem):

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (7)

Sétimo número da série. Termino o terceiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3. Multidões como laboratório do líder hipnotizador. Escrevi no número anterior que, de pacato cidadão, o candidato passa a pessoa excitada, o seu discurso torna-se messiânico, a motricidade corporal não tem perímetro. Ele próprio acredita que é outro. É em meio a essa atmosfera de sobreexcitação que o candidato gere a sua lâmpada de Aladim, prometendo transformar para melhor a vida da terra e das pessoas. Por sobreexcitação, por contágio, o candidato a líder do país - não importa de que partido - tudo faz para criar o estado de crença nas multidões, hiponotizando-as - e hiponotizando-se - com promessas sem fim de parusia terrena.

01 Outubro 2014

A poucos dias das eleições

"O Conselho de Ministros, aprovou ontem, dia 30, em sessão ordinária regalias e direitos para os 17 membros da Comissão Nacional de Eleições (CNE) que passam a estar equiparados aos Ministros e vice-Ministros." Aqui.

Que tipo de notícias se procura nas mídias sociais?

"[...] Em primeiro lugar, as pessoas buscam noticias ligadas ao entretenimento: 73% dos usuários do Facebook buscam esse tipo de conteúdo regularmente. [...] Já no Twitter, os usuários buscam manchetes e notícias de última hora." Aqui.

Eleições, igrejas e curandeiros

Igrejas (especialmente as de teor milagreiro) e consultórios de curandeiros têm sido muito frequentados nesta campanha eleitoral.

Eleições 2014 e balística política: representações sobre adversários (6)

Sexto número da série. Como já observei, esta série é tributária dos relatos e das análises que vão surgindo na imprensa sobre a construção política dos adversários. Em certos órgãos de informação - escritos, radiofónicos e televisivos - os intelectuais de plantão tudo fazem para salientar as virtudes do seu partido e demonizar tudo que venha do lado adversário, num processo que provavelmente vai agravar-se à medida que nos aproximamos da data das eleições. O que é, afinal, clássico e universal. Num dos seus livros, Michel de Certeau escreveu que o conflito é inerente à vida social e que toda a sociedade se define pelo que exclui, que toda a sociedade se forma diferenciando-se. Formar um grupo é criar, ao mesmo tempo, estrangeiros. Uma estrutura bipolar, essencial a toda a sociedade, cria um "fora" para que exista um "entre nós"; fronteiras, para que possa existir um país interior; "outros" para que o "nós" possa tomar forma. Temos assim uma lei, a lei do grupo - asseverou Michel - que é, também, um princípio de eliminação e de intolerância. União e diferenciação crescem e marcham a par. Cartune reproduzido com a devida vénia daqui.

30 Setembro 2014

Pesadelo

"Metade dos animais selvagens da Terra desapareceu em 40 anos" - confira resumo em português aqui e relatório em inglês aqui.

Taxa de lucro político

As igrejas, os curandeiros e os régulos representam três importantes vias no sentido do incremento da taxa de lucro político, permitindo a economia no uso dos aparelhos repressivos estritos. Os gestores do poder estatal têm todo o interesse em assegurar esse incremento, seja indirectamente no caso das igrejas e dos curandeiros, seja directamente no caso dos régulos. As duas primeiras instâncias transferem para entidades sobrenaturais (diabo, espíritos) as causas dos problemas sociais; a segunda, com auxílio dos curandeiros (mas também há régulos-curandeiros), ao mesmo tempo que é um braço do Estado na cobrança de impostos, procura assegurar o respeito pelas tradições e pela ordem costumeira, cumprindo o mesmo papel que o Estado colonial lhe atribuíra.

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (6)

Sexto número da série. Entro no terceiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3. Multidões como laboratório do líder hipnotizador. A multidão à qual o candidato à dominação estatal se dirige forma-se de várias maneiras. Porém, esse não é ponto central aqui. O ponto central diz respeito à metamorfose sofrida nos comícios pelo candidato à dominação estatal, seja qual for o partido em causa. De pacato cidadão, o candidato passa a pessoa excitada, sobreexcitada, o seu discurso torna-se messiânico, a motricidade corporal não tem perímetro. Ele próprio acredita que é outro. Se não se importam, retomo o tema proximamente.

29 Setembro 2014

Tropismo político

Há gente no país a mudar de partido político como quem muda de camisa. Resta saber o que mais pesa na balança do tropismo político: se a fidelidade aos ideais, se a fidelidade aos tachos.

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (5)

Quinto número da série. Entro no segundo ponto do sumário proposto aqui, a saber: 2. Multidões enquanto coleção e molde. O aspirante a líder estatal, o candidato à dominação estatal, tem especial apreço pelas multidões. Uma multidão é sempre uma entidade plural que tem a virtude de apagar as diferenças sociais, com as pessoas transformadas numa coleção amorfa de indivíduos. Perante a coleção imensa de indivíduos expectantes, ansiosos de novidade, o candidato a líder estatal tem um sonho poderoso, sem limites: fazer dela um molde obediente, um receptáculo no qual seja introduzido o conjunto das suas ideias e das suas promessas de tal forma que, no fim do processo, o candidato se convença de que a massa informe já lhe pertence, irá votar nele. Pode ser uma hipótese sensata a de que os candidatos à dominação estatal devem verdadeiramente sentir prazer no molde. No próximo número escreverei sobre o líder hipnotizador.

Para descolonizar e historicizar a "história natural" (6)

Sexto número da sérieOs ventos dos hábitos e dos fixismos epistemológicos continuam a soprar forte neste presente, vindos do passado recorrente, ampliados por circunstâncias actuais. Não poucos de nós, mesmo com verniz académico, sem pestanejar, sustentamos nos mais variados fóruns que - por exemplo - o norte do país é matrilinear e o sul, patrilinear. As entidades étnicas têm cada vez mais força e naturalidade. As pessoas são aí colocadas de forma definitiva, irremediável. Uma das mais admiráveis qualidades de muitos dos seres humanos é, sem dúvida, a de acharem que socialmente as coisas não mudam porque - admirável veneração proverbial - são como são. Descolonizar e historicizar a vida são duas tarefas difíceis.

No "Savana" 1081 de 26/09/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Uma coleção mundial à venda em Maputo na "Escolar Editora"

Aqui aqui. Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato. Abaixo, os rostos dos seis primeiros números, também à venda na "Escolar Editora" em Maputo:

28 Setembro 2014

Intacto

Nenhum dos partidos concorrentes, como nenhum dos candidatos presidenciais para as eleições 2014, questiona as estruturas sociais em curso no país. O modo de produção e distribuição manter-se-á intacto, bastando apenas corrigi-lo, melhorá-lo e moralizá-lo.

Documento

Adenda às 15:34: confira o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (48), com data de hoje, aqui.

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (4)

Quarto número da série. Concluo o primeiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 1. O sentido sinestésico da sedução. O que se tem passado com Nyusi da Frelimo, Dhlakama da Renamo e Simango do MDM é um conjunto de "banhos de multidão", é um conjunto de quantidades que os fotógrafos gostam de explorar e mostrar. É neste âmbito que cada candidato julga que as suas multidões significam aceitação, aderência imediata à sua candidatura, é neste sentido que cada candidato fica sensorialmente seduzido e convencido, é neste sentido que estamos perante um exemplar exercício de sinestesia (se há tanta gente aqui é porque me preferem), é neste sentido que se compreende o "já ganhei" dito - desta ou daquela forma, por essas ou outras palavras - pelos candidatos presidenciais, seus porta-vozes, seus admiradores e seus intelectuais orgânicos. Aguarde a continuidade desta série.

A mais difícil

Regras, interditos e punições instalam-se em nós desde que nascemos, tornam-se coisas naturais. Regras, interditos e punições significam medos de todos os tipos, subserviências múltiplas. É por isso que a democracia é a mais difícil das práticas sociais.

Mudanças sociais

As mudanças sociais não ocorrem apenas porque mudamos de ideias e de categorias analíticas, é preciso que as relações de produção e distribuição também mudem. Porém, temos de evitar a visão mecanicista das coisas e ter em conta que muitas vezes ideias e categorias analíticas permanecem apesar de as relações de produção e distribuição terem mudado.

27 Setembro 2014

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (3)

Terceiro número da série. Entro no primeiro número do sumário proposto no número anterior, a saber: 1. O sentido sinestésico da sedução. Tomai como referência o parágrafo inicial de um texto inserto no "O País" digital, como segue: "Afonso Dhlakama aterrou no aeroporto de Lichinga, província de Niassa, por volta das 16h20 de ontem e foi recebido por um “banho de multidão” que mal o viu começou a gritar em coro contínuo: “já ganhou!”. Perante a emoção persistente da população, o candidato da Renamo rendeu-se e declarou de viva voz que “estou a ver que em Niassa já ganhei”. Aqui. O que Dhlakama da Renamo terá afirmado de acordo com o "O País", não difere, em substância - sejam quais forem as palavras e os sentidos de cada um -,  daquilo que Filipe Nyusi da Frelimo e Daviz Simango do MDM têm dito. Voltarei a este ponto proximamente.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1081, de 26/09/2014, disponível na íntegra aqui:
Notas: de vez em quando um leitor queixa-se de não conseguir baixar o semanário "Savana" neste diário. Só tem de executar os seguintes três passos: clicar no "Disponível na íntegra aqui" da postagem, a seguir no "Baixar" do programa 4Shared e, a terminar, no "Baixar grátis" também do programa. Por outro lado, de vez em quando também me perguntam por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.
Adenda às 10:50 de 29/09/2014: se não conseguir pelo 4shared, tente aqui.

26 Setembro 2014

Sobre violência

Andam por aí pequenos tsunamis de violência política, os quais poderão aumentar de intensidade futuramente. Permitam-me recordar-vos o pequeno texto logo abaixo. Entretanto, em breve estará disponível no mercado mais um número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" com o título "O que é violência social?"

Amanhã neste diário

Estarão à venda hoje em Maputo na "Escolar Editora"

Aqui e aqui. Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato. Abaixo, os rostos dos seis primeiros números, também à venda na Escolar Editora em Maputo:

Eleições 2014 em Moçambique: a sedução das multidões (2)

Segundo número da série. Permitam-me organizar melhor as ideias propondo-vos o seguinte sumário com cinco pontos:
1. O sentido cinestésico da sedução
2. Multidões enquanto coleção e molde
3. Multidões como laboratório do líder hipnotizador
4. Crença na adesão votal
5. Espectáculo, euforia e compensação

Riscos de segurança 2014

Confira aqui. Se quiser ampliar as imagens clique sobre elas com o lado esquerdo do rato.