O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2016 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Índico abraço.
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08 fevereiro 2016

No "Savana" 1152 de 05/02/2016, p.19


Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

Lá no Niassa com o "Faísca"

Jornal na íntegra aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: em Yaawokucela significa amanhecer. O jornal Faísca é editado em Lichinga, capital provincial do Niassa. Sobre a província do Niassa, confira aqui.
Especial: parabéns aos jornalistas do "Faísca" pelo 16.º aniversário do jornal ocorrido a 04 do corrente mês.

07 fevereiro 2016

Para que serve o Estado?

Um novo tema está em marcha na colecção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora", com a seguinte pergunta provisória: para que serve o Estado? (variantes: a quem serve o Estado?; O que é Estado?).
Como habitualmente para cada tema, iniciei o sempre demorado processo de busca de autores, analisando perfis e currículos um pouco em todo o mundo. Já foram efectuados vários contactos.
Por agora, a equipa já tem um membro garantido, trata-se do moçambicano José Óscar Monteiro, membro histórico da luta de libertação nacional de Moçambique, jurista, doutorado em França, professor universitário. Saiba um pouco dele aqui.

Sobre a mudança das ideias sociais

As ideias sociais não mudam quando achamos que devem mudar. Mudam quando mudam as condições nas quais nascem e se desenvolvem. Mas a mudança não é mecânica. As velhas ideias podem manter-se por muito tempo apesar de terem desaparecido as condições sociais nas quais nasceram e se desenvolveram.

06 fevereiro 2016

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1152, de 05/02/2016, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

05 fevereiro 2016

Atenção

Anúncio inserto na edição do "Notícias" de hoje, página 12. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

Amanhã na íntegra neste diário

Prossegue o saque da nossa madeira

No "Notícias" digital de hoje: "Camiões de grande tonelagem transportando umbila e pau-ferro, duas espécies de madeira protegidas por lei, são vistos todos os dias a sair da Reserva Nacional de Gilé, na província da Zambézia, para vários pontos do país, uma situação que ocorre depois de o Governo ter decretado uma moratória na exploração florestal. [A nossa Reportagem, que esteve recentemente na área da Reserva de Gilé, viu mais de 12 camiões transportando madeira recentemente cortada e os fiscais florestais colocados nos postos de fiscalização aparentemente nada fazem para impedir a saída daquele recurso florestal depois de o executivo anunciar a interdição do corte da madeira a partir de 1 de Janeiro último." Aqui.
Adendaeste diário tem, desde 2007, centenas de entradas sobre o desalmado saque da nossa madeira. Tempos houve em que abordar no país a desflorestação era considerado, por alguns cavaleiros andantes do tudo está bem, acto de lesa-pátria, exercício de macomunação com a estranja maquiavélica. Mas faz já alguns anos - especialmente desde 2011 - que se multiplicam os relatos pungentes e frontais sobre o desalmado saque florestal do país.

Categorias neutras

Defendendo, sistematicamente, que certos seres humanos são por natureza maus, afasta-se da análise as relações sociais que, por regra, tornam as pessoas boas ou más ou, mesmo, loucas. Por outras palavras, atribui-se à natureza genetizada a responsabilidade dos problemas sociais. Se prestarmos alguma atenção à maneira como a nossa sociedade é descrita e analisada, veremos rapidamente que as pessoas são extraídas das relações sociais concretas e de um modo de produção determinado e inscritas em categorias neutras, como que auto-explicativas: jovens, mulheres, manifestantes, governantes, sociedade civil, vendedores, etc.

04 fevereiro 2016

Começou hoje o Bobs 2016: pode inscrever o DS?

De hoje a 3 de março de 2016 "poderão ser feitas as inscrições para o Bobs 2016, o concurso de ativismo online da Deutsche Welle." Na edição deste ano há quatro categorias, a saber: Mudança Social, Tech pro Bem, Arte e Cultura e Jornalismo Cidadão.
Se quiser e puder, inscreva este diário numa ou mais categorias. Aqui. O "Diário de um sociólogo" tem concorrido desde 2007, tendo sido seleccionado em 2007 e 2008 como um dos dez melhores weblogues em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Leia uma entrevista divulgada em 2008 no UOL, aqui.

Quem produz refugiados?

Em certos órgãos de informação, os refugiados moçambicanos que estão no Malawi fogem das atrocidades atribuídas ao exército governamental. Para fontes nacionais confira por exemplo aqui e para as internacionais aqui e aqui. Mas segundo o "Notícias" de hoje, os refugiados fogem dos ataques da Renamo. Aqui. Segundo o "domingo", aqui. Com recurso ao contraditório, mas destacando atrocidades atribuídas ao exército governamental, aqui. Para a situação nutricional dos refugiados, um trabalho de um jornal malawiano aqui.
Observação: os refugiados tornaram-se um exercício de contabilidade simbólica de maldades e de bondades castrenses. Assim, em determinados círculos de opinião [com ênfase para certos blogues e certas páginas das redes sociais], a maldade pertence às tropas governamentais e a bondade aos guerrilheiros do exército privado da Renamo. Implicitamente nuns casos e explicitamente noutros, admite-se a legitimidade da existência de dois exércitos no país, o governamental e o privado.
Adenda às 07:46: uma imagem recorrente em certos círculos é a de que  Frelimo [sempre evacuam o Estado, para eles o Estado não existe] é produtora de ditadura e guerra e a Renamo produtora de democracia e paz.
Adenda 2 às 08:23: leia o cataclísmico quadro [a começar pelo título] apresentado pelo zitamar news aqui.

De Nyusi a Mondlane: a questão da legitimidade política

"Enquanto existirem pessoas que não têm comida, gente que não tem saúde, gente que não tem educação, a estabilidade vai faltar" [Filipe Nyusi]
[...] enquanto continuar o povo sem água, sem energia, sem escolas suficientes, sem hospitais, sem saúde, ainda não teremos cumprido a missão pela qual os nossos heróis tombaram como dos que também estão vivos, em todo o país." - Presidente da República, Filipe Nyusi, falando ontem por ocasião do Dia dos Heróis Moçambicanos, confira aqui.
Adenda: recuemos agora no tempo, recordando a maneira como Eduardo Mondlane colocou e antecipou a questão do Estado redistribuidor em busca de legitimidade política. Nos anos 64/66, os dois primeiros da luta armada de libertação nacional, a Frelimo enfrentou o seguinte problema, narrado por Mondlane:
“O vazio deixado pela destruição da situação colonial pôs um problema prático que nunca tinha sido considerado pelos chefes: o desaparecimento duma série de serviços inerentes à dominação portuguesa, especialmente serviços comerciais, enquanto o povo continuava a existir e a necessitar deles. A incapacidade da administração colonial deixava também muitas necessidades insatisfeitas, que continuavam a ser fortemente sentidas pelas populações. Assim, desde as primeiras vitórias de guerra, recaíam sobre a FRELIMO muitas e variadas responsabilidades administrativas. Uma população de 800 000 habitantes tinha de ser servida. Primeiro e acima de tudo, havia que satisfazer as suas necessidades materiais, assegurar abastecimentos alimentares, e outros artigos, como vestuário, sabão e fósforos; serviços de saúde e educação, sistemas administrativos e judiciais. [Durante algum tempo, o problema foi agudo. Não estávamos preparados para o trabalho que tínhamos pela frente, e faltava-nos experiência na maioria dos campos em que necessitávamos dela. Nalgumas áreas, as carências eram muito sérias; e onde os camponeses não compreendiam as razões, retiravam o seu apoio à luta e, nalguns casos, partiam mesmo definitivamente.” [Mondlane, Eduardo, Lutar por Moçambique. Lisboa: Sá da Costa, 1977, 3a ed., p.185]

O problema central

O problema central não está em que os chapas circulem com graves deficiências técnicas no país. O problema central está em permitir que isso aconteça.

03 fevereiro 2016

Hoje, Dia dos Heróis Moçambicanos

Assinala-se hoje no país o Dia dos Heróis Moçambicanos. A 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane foi assassinado. Permitam recordá-lo como segue: "Porque as condições de vida em Moçambique, o tipo de inimigo que nós temos, não admite qualquer outra alternativa. É impossível criar-se um Moçambique capitalista, seria ridículo lutar para destruir a estrutura económica do inimigo e reconstruí-la a favor do inimigo. Seria ridículo, já o dissemos várias vezes. Ora nós não vamos fazer isso. Nós vamos criar um sistema económico socialista e há agora uma riqueza de experiências de vários países socialistas que nós vamos estudar e aprofundar." - Eduardo Mondlane entrevistado por Aquino de Bragança, logo a seguir ao II Congresso em 1968 da Frente de Libertação de Moçambique - Bragança, Aquino de e Wallerstein, Immanuel, Quem é o inimigo (II). Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1978, pp. 200-201.
Adenda: Eduardo Mondlane foi, provavelmente, o primeiro Moçambicano a doutorar-se, com tese defendida em 1960, confira neste diário aqui e neste portal aqui.

Próximo mês

Adenda: leia aqui.

02 fevereiro 2016

Poder simbólico faz a economia do poder físico

Construtor de condutas, o poder simbólico faz a economia do poder físico. A televisão é um campo privilegiado desse poder. Em que sentido? Enquanto campo saturado de densidade política, mesmo quando os seus universos de comunicação são sóbrios e surgem como neutros ou como mero produto empresarial. As diferenças programáticas entre, por exemplo, uma TVM e uma STV – para apenas citar duas das nossas estações televisivas, a primeira pública, a segunda privada -, não escondem a sua identidade comum enquanto construtoras de condutas politicamente acomodantes.