O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Olá para todas e todos vós, obrigado por visitarem este diário, criado a 18 de Abril de 2006. Aqui encontrareis, diariamente, um pouco de tudo, do que gostais e do que não gostais. Sintam-se bem e regressem sempre. Índico abraço.
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23 maio 2015

Pensamento fast-food (4)

Quarto número da série. No nosso pensamento do dia-a-dia existem duas constantes:
1. Primado do julgamento sobre a análise: recurso à validação normativa mais do que à validação lógica;
2. Primado da posição disjuntiva: estar irredutivelmente a favor ou contra.
Vamos ver alguns aspectos dessas duas constantes.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1115, de 22/05/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

Pedalando: quadros de Gemuce (10)

Décimo número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe Título: A arca de Noé, Dimensões: 130x100, Técnica: Óleo s/tela, 2015Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

22 maio 2015

Riscos políticos para as democracias africanas

Riscos políticos para as democracias africanas, um trabalho do Afrobarometer, com autoria de Michael Bratton and E. Gyimah-Boadi, aqui.

Recursos na Ciência Política em geral

Com o título em epígrafe, um portal com várias secções, aqui. [este blogue figura na secção dos blogues]

Pensamento fast-food (3)

Terceiro número da série. O pensamento do dia-a-dia (o pensamento de todos nós) opera ao nível de três formas de representação social:
1. Formalismo espontâneo - emprego selectivo de estereótipos, de clichés, de julgamentos à maneira de todo-o-mundo, de ditos costumeiros, do tipo não vale a pena, a gente é assim mesmo, os Africanos acreditam nos espíritos, Os Makondes são guerreiros, o povo de Nampula é matrilinear;
2. Dualismo causal - indiferenciação da causa e do efeito na base de proximidade espaço-temporal ou de co-ocurrência. Em situações de desemprego, a presença de estrangeiros equivale à causa: os Burundeses roubam-nos os empregos (regra: causas satisfatórias são mais importantes do que razões lógicas);
3. Primado da conclusão - a conclusão existe à partida, aqui intervém o juiz e não o analista. Exemplos: Os xingondos são atrasados, os jornalistas só escrevem mentiras, etc. Não há, aqui, um pensamento de descoberta mas de afirmação e de julgamento.

Pedalando: quadros de Gemuce (9)


Nono número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe Sem Título, Dimensões: 130x100 Cm, Técnica: Carvão s/tela, Ano: 2015Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

Resamorizar Samora

Confinado às estátuas, aos discursos laudatórios anuais, à perda das nervuras do que em vida realmente foi, Samora Machel é dessamorizado, amputado da sua luta por um social diferente do que chamou "ordem antiga". Urge, então, resamorizar Samora, regressar colectivamente ao seu combate por uma sociedade diferente, a uma sociedade com relações sociais de outro tipo, a uma sociedade norteada pela solidariedade, pela justiça social e pela confiança num futuro em construção colectiva permanente. Precisamos inventar o futuro.

21 maio 2015

Era mesmo necessário?

A versão digital do "Diário de Moçambique", editado na cidade da Beira, divulgou a imagem em epígrafe. Nessa imagem, vê-se o governador de Tete ao lado de uma criança numa carteira escolar. Ao fundo, vê-se um soldado armado [o círculo vermelho é da minha autoria, CS]. Era mesmo necessário ao governador ter semelhante protecção num recinto de aulas, ainda que improvisado [parece estar a céu aberto, CS], perto de crianças? O Presidente da República e o Ministro de Educação e Desenvolvimento Humano têm sido fotografados em salas de aulas, mas nunca acompanhados de soldados armados.

Dívida pública de Moçambique

Segundo a versão digital de "O País", citando o Fundo Monetário Internacional, a dívida pública de Moçambique subiu para mais de 60% do Produto Interno Bruto. Aqui.

Novo questionário

Com o tema em epígrafe, um novo questionário encontra-se no lado direito deste diário, válido até 21 de Agosto do corrente ano. Um outro, já encerrado, manter-se-á logo abaixo do novo por mais alguns dias. Obrigado pela participação.
Adenda às 13:54: resultados do questionário, já encerrado, sobre poder e federalismo [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]:

Da floresta de Samora ao mundo subterrâneo do Rio de Janeiro

Leia o que foi escrito sobre a "floresta de Samora Machel" e o mundo subterrâneo do Rio de Janeiro, extractos de um livro da autoria de Osvaldo Maneschy, Madalena Sapucaia e Paulo Becker. Aqui.

O que Samora disse em 1976

Samora Machel em 1976, na oitava sessão do Comité Central da Frelimo: "(...) O ambicioso exigirá que em cada lugar de responsabilidade apareça sempre o elemento de tal e tal tribo, de tal ou tal região ou raça. (...) os vícios do racismo, os preconceitos, não desapareceram, as relações sociais continuam a ser determinadas pela pigmentação da pele. Não há ainda uma sociedade moçambicana; há várias sociedades paralelas de brancos, assimilados, mestiços, indianos, chineses, etc., que têm reduzidíssimos contactos entre si." Aqui.

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique (13)

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Décimo terceiro número da série. Entro no quinto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 5. Moçambique 2006, 2007 e 2010 e no subponto 5.1. Síndrome da rarefação (dignidade, sobrevivência, pão e chapas). Entre 2006 e 2010 viveram-se alguns momentos difíceis, em particular nas cidades de Maputo e Matola, com  picos de revolta popular em 2008 (lembre aqui e aqui) e 2010 (aqui e aqui).

Pensamento fast-food (2)

Segundo número da série. Cada um de nós está confrontado com múltiplas situações diárias. Podemos definir quatro tipos de reacções:
1. Sendo a informação dispersa e muito difícil reunir todos os elementos de um problema ou de um objecto (mesmo que os hábitos nos habitem), é privilegiado o aspecto A;
2. Um mesmo problema ou um mesmo objecto é encarado de forma diferente por vários indivíduos de acordo com histórias pessoais, grupais, etc.;
3. Em cada situação somos levados à inferência por generalização com fórmulas feitas;
4. A validação normativa ultrapassa de longe a validação lógica ou analítica.

Pedalando: quadros de Gemuce (8)

Oitavo número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe Título: Imprevisto, Dimensões: 130x100 Cm, Técnica: Carvão s/tela
Ano: 2015
Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

20 maio 2015

O que faria se fosse Presidente de Moçambique?

Famílias empresariais

Eis o que consta da "Base de Dados de Interesses Empresariais" do Centro de Integridade Pública (CIP) em relação às quatro famílias abaixo mencionadas:
Confira aqui

Pensamento fast-food (1)

O pensamento fast-food tem a ver com algumas das mais correntes formas cognitivas e argumentativas do dia-a-dia. Estamos diariamente em contacto com muita informações, estamos diariamente a tentar transformar o desconhecido no conhecido, o heterogéneo no homogéneo. O conhecimento é a busca incessante de certezas socialmente úteis. Para dizer as coisas em modo de paradoxo: certezas mais socialmente úteis do que logicamente certas.

Pedalando: quadros de Gemuce (7)

Sétimo número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe Título: Corrida vertiginosa, Dimensões: 130x100 cm, Técnica: Óleo s/tela, Ano: 2015Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

19 maio 2015

A ciclicidade da Renamo

Através do seu porta-voz, a Renamo acusou as forças de defesa e segurança do Estado de terem tentado assassinar o seu presidente, Afonso Dhlakama. Aqui. Este tipo de acusação é cíclico nesse partido, recorde, por exemplo, aqui, aqui, aqui aqui. Sobre a mais recente acusação, o porta-voz do Estado afirmou que a Renamo prepara psicologicamente a violência futura. Aqui.
Adenda às 19:19: confira também aqui.

O que são pobreza e pobres?

No dia 29 de Junho, às 08 horas locais, entregarei à editora o 16.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora", intitulado "O que são pobreza e pobres?", com autoria de Kajsa Johasson da Suécia, Narciso Mahumana de Moçambique e Marcelo Medeiros do Brasil​, fotos abaixo:
​Estão no prelo cinco números da  coleção, designadamente "O que é filosofia africana?", "Existe imprensa independente?", "O que é futebol?", "O que é feminismo?" e "Qual o papel da imagem na história?".
Abaixo, as capas dos dez números já no mercado (amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato):

Pedalando: quadros de Gemuce (6)


Sexto número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe Título: des-equilibristas, Dimensões: 130x100, Técnica: Óleo s/tela
Ano: 2015
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Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

Afrocapitalismo: nova "ajuda" para África?

Existem diferentes tipos de capitalismo? O capitalismo africano é específico? É o afrocapitalismo a nova panaceia do continente? - com o título em epígrafe, um trabalho de Sebastián Ruiz divulgado em Pueblos, aqui.

18 maio 2015

Césares

A enorme ânsia de poder faz criar em certos césares um povo político, em nome do qual dizem falar e a quem atribuem vontade, fala e violência.

No "Savana" 1114 de 15/05/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.