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23 Outubro 2014

Quintas eleições gerais de Moçambique (13)

Décimo terceiro número da série. Recordando as eleições gerais de 2004: "Severas críticas provocam debate sobre reforma eleitoral/As falhas de uma pesada máquina eleitoral em Dezembro último e duras críticas dos observadores nacionais e internacionais, tornaram mais urgente a revisão da lei eleitoral e fizeram surgir um debate mais aberto do que no passado." Aqui.
Adenda: sobre o sistema eleitoral moçambique, um texto de 2010, aqui.
Adenda 2: eleições de 1999, aqui.
Adenda 3: é notável o esforço sistemático que certos órgãos de informação fazem para mostrar que as eleições foram ordeiras, deixando na penumbra problemas complexos e delicados.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (7)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Sétimo número da série. Passo ao quinto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 5. Fraude e julgamento retrospectivo. O julgamento retrospectivo é uma das características mais notáveis da forma como diariamente enfrentamos a vida e fazemos do passado a pedra angular das nossas representações sociais. Assim, se no passado aconteceu o fenómeno A, é lógico e natural - assim se pensa - que ele volte a acontecer. Os partidos políticos e seus intelectuais são, regral geral, grandes produtores desse tipo de julgamento. No caso das eleições, o julgamento retrospectivo funciona assim: se no passado houve fraude, ela voltará a ocorrer. Este tipo de julgamento tem lugar em múltiplas situações: hoje ainda a Renamo é para a Frelimo a extensão dos "bandidos armados" e a Frelimo é para a Renamo a extensão do comunismo.

22 Outubro 2014

Quintas eleições gerais de Moçambique (12)

Décimo segundo número da série. De acordo com o matutino "Notícias", Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, afirmou ser altura de acabar com a cultura de que “as irregularidades ocorridas não afectam os resultados”. Aqui. Por sua vez e ainda segundo o mesmo jornal, o secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, Fernando Faustino, afirmou o seguinte: "Aceitamos que houve irregularidades. Mas essas irregularidades não afectaram somente a Renamo. Afectaram também a Frelimo e aos demais partidos concorrentes." Aqui.
Adenda: o tema das irregularidades já tem um passado notável no nosso país. Por exemplo, leia o "NoTMoC: Notícias de Moçambique" (infelizmente deixou de se publicar) de 27 de Outubro de 1994, aqui.
Adenda 2: em jornais, no bula-bula informal e mediante certos auto-analistas, abundam teses do género "Frelimo e Renamo uniram-se para impedir o avanço do MDM" ou "Frelimo organizou-se para evitar uma vitória muito grande e dessa maneira decepcionar os investidores". É um diz-que-diz que fascina os crédulos e evitar a pesquisa séria de terreno.
Adenda 3 às 05:07: "A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia "manifesta a sua preocupação com os atrasos do apuramento dos resultados a nível distrital e provincial em algumas províncias, e considera que estes incidentes durante o processo de apuramento, aliados à ausência de uma explicação oficial pública sobre estas dificuldades, deteriora o que tinha sido um início ordeiro da jornada eleitoral", através de um comunicado de imprensa divulgado esta noite (terça-feira)." Aqui.
Adenda 4 às 15:52: com o título "Alegações de fraude mancham a vitória da Frelimo", um trabalho aqui.
Adenda 5 às 17:15: siga o "CIP/Eleições" no Facebook, aqui.
Adenda 6 às 17:21: "Uma curiosidade sobre o voto em Niassa é que 18.932 eleitores (6,55% do total) votaram para as presidenciais, mas não o fizeram para a Assembleia da República. Esta é uma percentagem invulgarmente alta, e pode ser uma indicação de enchimento de urnas, ou de adição de votos para as presidenciais e não para a Assembleia da República. É uma diferença muito grande, e se todos estes votos foram para Nyusi, foram determinantes para que o candidato da Frelimo, conseguisse a maioria na província de Niassa." Aqui.
Adenda 7 às 17:30: um trabalho de análise às eleições de Jason Sumich, aqui.
Adenda 8 às 20:04: segundo o jornalista António Zefanias, sedeado em Quelimane, eis os resultados provisórios da contagem de votos para as presidenciais na província da Zambézia: Afonso Dhlakama da Renamo com 357.300 votos, Filipe Nyusi da Frelimo com 268.865 e Daviz Simango do MDM com 56.983. Para a Assembleia da República: Renamo com 283.363 votos, Frelimo com 243.946 e MDM cpm 65.033.
Adenda 9 às 20:23: segundo o "Wamphula Fax" digital editado em Nampula, com data de amanhã, o apuramento intermédio dá vantagem a Afonso Dhlakama da Renamo para as presidenciais e à Frelimo para as legislativas. A abstenção parece ser muito grande, pois dos 2077.360 eleitores inscritos, apenas votaram 816.327, tendo a Comissão Provincial Eleitoral validado 756,937 votos (64.327 foram votos em branco e 32.388, nulos).
Adenda 10 às 20:46: atenção, todos os números que surjam são rigorosamente provisórios e muita coisa poderá ser alterada no futuro.

Indução no pensamento da fraude eleitoral

Irregularidades
1. Até aqui encontrámos irregularidades em 100 mesas de voto
2.[É natural que todos as mesas de voto tenham irregularidades]
3.Tem havido muitas irregularidades nas eleições em Moçambique
4.Todos as mesas de voto têm irregularidades

Fraude
1. Até aqui encontrámos 100 editais fraudulentos
2.[É natural que todos os editais sejam fraudulentos]
3.Tem havido fraude nas eleições em Moçambique
4.Todos os editais eleitorais são fraudulentos

Neste tipo de indução, comum em muitas análises e generalizações, estamos perante um pensamento que, filiando a "prova" na confiança acordada à premissa hipotética, a priori, 2, estabelece, com pretensão apodítica, a conclusão 4.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (6)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Sexto número da série. Passo ao quarto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 4. Estrutura do pensamento circular. Como já escrevi, os três candidatos presidenciais deste ano (Filipe Nyusi da Frelimo, Afonso Dhlakama da Renamo e Daviz Simango do MDM) foram seduzidos pelas multidões, ficaram fascinados com elas. Mas Dhlakama foi aquele que, publicamente, melhor expressou a sedução (multidões=votos assegurados), aquele que, melhor do que ninguém, em seu populismo, exemplificou o pensamento circular deste género:
1. As pessoas vão aos meus comícios
2. Por que razão vão aos seus comícios?
3. Porque gostam de mim e vão votar em mim
4. Que provas tem disso?
5. Não vê que vão aos meus comícios?

21 Outubro 2014

Desarmamento da Renamo

Segundo a "Folha de Maputo que cita a "Lusa" e o ministro José Pacheco, inicia-se no dia 29 a fiscalização do desarmamento da Renamo, seguindo-se a integração na política e nas forças armadas e a reinserção económica e social. Aqui.
Adenda às 15:47: este é mais um grande desafio na história política do país, quando os resultados provisórios e oficiais dão a Renamo por derrotada nas eleições do dia 15 de Outubro.

Indução no pensamento da fraude eleitoral

Quintas eleições gerais de Moçambique (11)

Décimo primeiro número da série. Num trabalho divulgado no jornal português "Expresso" de 18 do corrente mês (1.º caderno, p. 36), com o título "Frelimo vence contestada e MDM afirma-se na oposição", o jornalista moçambicano Lázaro Mabunda escreveu o seguinte, contra a corrente do que se escreve e se diz dentro e fora do país: "Os prognósticos indicam que o MDM poderá triplicar o número de deputados na Assembleia da República, alcançando perto de 30 lugares contra os atuais oito. A confirmarem-se as previsões, o MDM será, nesse sentido, um vencedor destas eleições. Em cinco anos de existência, esta força política, além de estar a cimentar a sua posição no parlamento, já governa em quatro municípios, nomeadamente Beira, Quelimane, Gúruè e Nampula."
Adenda: o mais importante em pesquisa consiste em colocar questões decisivas que a orientem. O jornalista Mabunda colocou uma de forma assertiva. Talvez se possa colocar estoutra, de forma interrogativa: como se explica o recrescimento de Dhlakama e da Renamo?
Adenda 2: tal como sucedeu na cidade de Quelimane, Afonso Dhlakama e a Renamo ganharam as eleições na cidade de Nampula. Confira aqui.
Adenda 3 às 14:55: No Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (67), com data de hoje e editado por Joseph Hanlon :"A saúde e a assiduidade do povo de Massangena, Gaza, é notável. 97% dos eleitores registados foram às urnas na quarta-feira, e desses 98% votaram a favor do candidato da Frelimo, Filipe Nyusi. Sugerimos que isto tem menos a ver com lealdade, e mais com enchimento de urnas. [Distrito de Chicualacuala, em Gaza, revelou uma boa saúde similar, com uma participação de 89%. Mas as [pessoas] foram menos fiéis; apenas 96% votaram em Nyusi." [tradução minha da versão em inglês do boletim, CS)
Adenda 4 às 15:38: "Violações aos direitos dos jornalistas mancharam, em parte, a cobertura jornalística das eleições presidenciais cuja campanha eleitoral decorreu de 31 de Agosto a 12 de Outubro. À Comissão de Resposta Rápida (CRR) chegaram diversos casos sobre ameaças, agressões e confiscação de material de trabalho de jornalistas durante eleições presidenciais, cuja natureza consubstancia um atentado à liberdade de imprensa e consolidação do estado democrático em Moçambique. As situações mais relevantes relacionam-se à ameaças e agressão a um jornalista do @verdade em Nampula, Leonardo Gasolina, no primeiro dia da campanha, a John Chekwa, da Rádio Comunitária de Catandica, em Manica, e confiscação de material de trabalho de Jordane Nhane, correspondente do Magazine Independente em Sofala, no dia da votação (15 de Novembro). A CRR condena estes actos e apela às autoridades para aplicação da Lei de Imprensa." Aqui.
Adenda 5 às 16:02: segundo o jornalista António Zefanias do "Diário da Zambézia", a Renamo remeteu uma queixa ao Tribunal da Cidade de Quelimane reportando a falta de 35 editais.
Adenda 6 às 18:51: ainda não saíram os resultados oficiais, mas a Renamo já festejou em Gondola e quis fazer o mesmo em Chimoio, na província de Manica, onde Dhlakama terá ganho nas presidenciais. Aqui.
Adenda 7 às 20:34: "A  Missão de Observação Eleitoral da União Europeia "manifesta a sua preocupação com os atrasos na apresentação dos resultados aos níveis distrital e provincial em algumas províncias, e considera que esses percalços no processo de tabulação, somados à ausência de explicações públicas oficiais sobre essas dificuldades, mancham o que aquele que foi um começo ordenado no dia da eleição", disse a missão em comunicado divulgado esta noite (terça-feira)" - Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (68), com data de hoje e editado por Joseph Hanlom (tradução minha da versão inglesa do boletim, CS).

20 Outubro 2014

Dhlakama e Renamo também venceram na cidade de Nampula

Tal como sucedeu na cidade de Quelimane (recorde adenda aqui), Afonso Dhlakama e a Renamo venceram na cidade de Nampula. Leia amanhã neste diário a série Quintas eleições gerais em Moçambique (11).

Próximo mês

Durante séculos, a África foi falaciosamente vista como um continente sem história e criatividade. "Ibi sunt leones": aí existem leões! Assim se representava o continente em mapas e portulanos.
Com as independências nacionais, o novo quadro epistemológico alterou a anterior visão: a África tem história e criatividade.
Por outras palavras, ao sinal negativo externo foi oposto o sinal positivo local, lá onde se defendia o afropessimismo opôs-se o afro-optimismo, numa polarização na qual a pesquisa dialéctica e os juízos de facto foram e são, frequentemente, substituídos pela pesquisa politicamente conveniente e pelos juízos de valor. Esta pesquisa politicamente conveniente integra, hoje, o discurso, também conveniente, da riqueza africana em recursos naturais, especialmente minerais e energéticos, que aparecem como substitutos dos “leões” de outrora.
É imperioso romper com essa dicotomia normativa e olhar para o continente africano numa perspectiva adaptada à “lei de Heráclito”: a única coisa que não muda em África é a mudança. Ou seja, torna-se necessário produzir um entendimento científico sobre o continente africano a partir da complexidade das suas dinâmicas sociais.
O desafio dos cientistas consiste em estudar as dinâmicas africanas expondo as especificidades que as distinguem das dinâmicas universais e focando as rupturas e continuidades, os avanços e recuos, e as tradições que se reinventam e se transformam com a interculturalidade característica da globalização.
Na verdade, África sofreu e sofre influências e pressões, determinantes no passado e no presente, sobre que rumos seguir e escolhas fazer, num clima de permanente tensão não tanto entre o novo e o velho quanto entre o local e o global.
Que dinâmicas estão em curso? Que riscos sociais e ambientais prever? Que desafios ter em conta? Que políticas e estratégias adoptar?
Daí o tema desta III Conferência Internacional, organizada pelo Centro de Estudos Africanos na cidade de Maputo, que se desdobra em 15 subtemas, visando construir um mosaico de vida interligada sobre o continente africano.

Quintas eleições gerais de Moçambique (10)

Décimo número da série. De acordo com o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (66), com data de hoje, editado por Joseph Hanlon, "Os candidatos presidenciais dos dois principais partidos tiveram melhores resultados do que os seus partidos nas legislativas, por seu turno, Daviz Simango teve menos votos do que o MDM. Os  votos na Renamo registam uma queda de 3% e na Frelimo uma queda em 1%, e esses votos  foram divididos entre o MDM e os pequenos partidos." Por outro lado, ainda segundo o boletim, "A versão mais recente da contagem paralela (PVT, parallel vote tabulation em Inglês) do Observatório Eleitoral, prevê os seguintes resultados:
Presidente
Nyusi 58%
Dhlakama 35%
Simango 8%
Assembleia da República
Frelimo 57%
Renamo 32%
MDM 10%
Outros 2%
Assentos na Assembleia da República
Tomando em consideração que nenhum dos pequenos partidos vai ganhar assentos e que é provável que a Frelimo ganhe os dois assentos no exterior, temos a seguinte estimativa na distribuição dos assentos:
Frelimo 143
Renamo 82
MDM 25
Essas projeções são baseadas em 84% das assembleias de voto que constam da amostra do PVT, o suficiente para dar uma projeção relativamente precisa. A margem de erro é de 2%." Confira essas e outras notícias (por exemplo sobre problemas com a afixação dos editais e sobre resultados distritais, aqui.
Adenda às 16:49: Informação acabada de receber do jornalista António Zefanias sedeado em Quelimane: segundo dados provisórios da Comissão Distrital de Eleições de Quelimane, Afonso Dhlakama e a Renamo ganharam as eleições na cidade de Quelimane:
Presidenciais: Afonso Dhlakama da Renamo: 31.346/Filipe Nyusi da Frelimo: 24.132/Daviz Simango do MDM: 8.665
Legislativas: Renamo: 22674, Frelimo: 20.862/MDM 14.390
Total de inscritos:136.953

Sexta-feira em Luanda

O livro (sinopse aqui) está à venda em Maputo nas livrarias da Escolar Editora. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Quintas eleições gerais de Moçambique (9)

Nono número da série. A propósito do Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (64), ontem aqui apresentado, recordo o diário de campo (133) deste diário, de 18/12/2009"Com o título "Manifestação manifestamente improvável", o jornalista Salomão Moyana defende no editorial do “Magazine Independente” desta semana que é improvável que a Renamo faça uma manifestação de protesto contra os resultados eleitorais. Leia aqui./Adenda às 16:32: enquanto isso, no "Wamphula Fax" de hoje o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, surge afirmando que a manifestação só será anulada "se Guebuza aceitar negociar connosco para conseguirmos uma solução viável para o bem do povo moçambicano". A conferir na íntegra aqui./Adenda 2 às 17:13: o "O País" online de hoje exibe um trabalho com o título "Partidos juntam-se à Renamo e exigem GUN", aqui."
Adenda: segundo o "Diário de Zambézia" de hoje, a Comissão Provincial de Eleições da província da Zambézia continua sem divulgar os resultados provisórios das eleições de 15 de Outubro. O jornal acha estranho que a Televisão de Moçambique esteja a divulgar resultados - citando como fonte o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral -, quando localmente nenhum resultado surgiu ainda publica e oficialmente.
Adenda 2 às 04:22: "Contrariamente ao previsto nas leis eleitorais, algumas comissões distritais de eleições (CDEs) para além de não estarem a cumprir com o prazo estabelecido de 3 dias para o apuramento a este nível, os respectivos presidentes, não estão a disponibilizar os editais de apuramento distrital e muito menos mandar afixa-los, conforme relatam os nossos correspondentes. [De acordo com artigo 106, da Lei 12/2014 de 23 de Abril,“ os mandatários de candidatura, observadores e jornalistas são entregues pela comissão distrital ou de cidade cópias dos editais originais de apuramento distrital ou de cidade devidamente assinadas e carimbadas”. [O artigo 107, da mesma Lei, “refere que os resultados do apuramento distrital ou de cidade são anunciados, em acto solene e publico, pelo respectivo presidente da comissão de eleições distrital ou de cidade respectiva, no prazo máximo de três dias, contados a partir do dia do enceramento da votação, mediante divulgação pelos órgãos de comunicação social, e são afixados em cópias do edital original à porta do edifício onde funciona a comissão de eleições distrital ou de cidade, do edifício do governo do distrito e do município”. - Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (65), com data de ontem e ediatdo por Joseph Hanlon.
Adenda 3 às 04:29: uma posição de Afonso Dhlakama segundo o "Notícias" digital de hoje, aqui.
Adenda 4 às 04:34: "Afonso Dhlakama, assegurou a um conjunto de diplomatas acreditados em Maputo que não recorrerá à violência e tenciona permanecer na capital para dialogar com o Governo cenários pós-eleitorais, admitindo um executivo de unidade nacional." Aqui.
Adenda 5 às 15:07: "No último sábado, Afonso Dhlakama chamou a imprensa para reforçar as palavras do seu porta-voz, cumprindo, por assim dizer, uma tradição que remonta desde as primeiras eleições de 1994. As causas são as mesmas: irregularidades que comprometem a credibilidade de todo o processo." Aqui.

No "Savana" 1084 de 17/10/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (5)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Quinto número da série. Passo ao terceiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3. A sedução das multidões e a crença absoluta na vitória. Os três candidatos presidenciais deste ano foram seduzidos pelas multidões. Mas Dhlakama foi aquele que, publicamente, melhor expressou a sedução. Falta fazer um estudo sobre a composição social das multidões. Por agora e como hipótese, sugiro quatro tipos de pessoas, genericamente consideradas (sem referência ao estatuto social) que frequentaram os comícios e os desfiles de carro de Dhlakama: 1. Os militantes e os simpatizantes da Renamo; 2. Os curiosos de ver aquele que andou no mato desafiando o poder central, aquele que, nas percepções populares, não teve medo; 3. Os meros amantes de espectáculos sinestésicos que, em sua transversalidade, não perdem qualquer comício, seja de quem for. 4. Finalmente, os ansiosos por prendas de campanha (capulanas, camisetes com a efície do candidato, porta-chaves, sacos plásticos, etc.), no que (parece) a campanha de Dhlakama não foi pródiga. Seduzido pelas multidões, Dhlakama prometeu mudar a vida e reescrever o futuro e a esperança. Diante de tanto aplauso, de tanta voz excitada, de tanto entusiasmo, chegou, célere, a uma conclusão: as multidões estavam ali porque o admiravam, porque o desejavam, porque o haviam já por vencedor, porque tinham chegado à conclusão de que apenas com ele o país ficará melhor, mais seguro, mais solidário, mais rico, mais redistribuidor. O candidato convenceu-se definitivamente de que as multidões iriam votar em massa nele e no seu partido. Votaram, sim, mas não em massa. A profecia não se realizou a contento. E tal como nas eleições anteriores, Dhlakama afirmou e afirma que apenas a  fraude da Frelimo impediu que ganhasse. Ontem como hoje, deixou a mensagem implícita de que em Moçambique apenas ele está apto a ganhar eleições presidenciais.

19 Outubro 2014

Espantosa

É espantosa a capacidade que os humanos têm de infligir dor múltipla a outrem em seus castigos, é espantosa a capacidade ilimitada de desumanização dos humanos.

Quintas eleições gerais de Moçambique (8)

Oitavo número da série. No Boletim  sobre o Processo Político em Moçambique (64), com data de hoje e editado por Joseph Hanlon: "Afonso Dhlakama acredita que ganhou a eleição na passada quarta-feira e está a dizer a diplomatas que quer um governo de unidade nacional. Apela para negociações conducentes a um governo de unidade que restruturaria totalmente os aparelhos e as forças de segurança do Estado para remover a influência da Frelimo. Haveria, então, novas eleições em dois anos. [Enfatiza que não se trata de ganhar ou de perder eleições. Afirma que não houve realmente uma eleição e que os diplomatas não devem aceitar em África uma eleição que não seria aceitável na Europa. Assim, quer apoio para um governo de unidade que finalmente traga a democracia a Moçambique.[Em particular, mantém a ameaça implícita de violência. Jovens apoiantes da Renamo atacaram postos de votação em Tete e Ilha de Moçambique na quarta-feira, e a Renamo não desmobilizou ou desarmou os homens que atacaram a estrada N1, em Sofala. Ele diz aos diplomatas que não quer violência, mas os seus apoiantes estão com raiva e ele não tem certeza de que pode controlá-los." (tradução minha do inglês, CS).
Adenda às 15:08: de um comentário no mesmo boletim de Joseph Hanlon: "Desde 1994 que Dhlakama acredita ter ganho as eleições e faz exigências semelhantes após cada eleição. Em 2009, prometeu manifestações e por quatro anos continuou a dizer que haveria manifestações em breve. Finalmente houve ataques na estrada N1 em Sofala em 2013. Claramente a Frelimo não vai aceitar um governo de unidade. A sua linha de fundo nas negociações de paz de Roma em 1990-1992 foi que a Renamo tinha de aceitar a legitimidade do governo e da constituição, no que Dhlakama finalmente concordou. Mas a importância do exemplo do Quénia é que houve um alto nível de mediação internacional, a Odinga foi finalmente dado um alto cargo e o governo foi extremamente expandido para criar postos ministeriais e viceministeriais sem importância para o partido de Odinga. Dhlakama espera que diplomatas pressionem a Frelimo e o governo a fazer grandes concessões, mesmo que não concedendo um governo de unidade." (tradução minha, CS)
Adenda 2 às 15:46: a história parece repetir-se. Eis um extracto do NotMoc Notícias de Moçambique de Outubro de 1994: "Dhlakama vê fraude por todos os lados/Afonso Dhlakama já disse várias vezes que a Frelimo já está a preparar a fraude eleitoral. Também já avisou que não lhe interessa o juízo dos observadores internacionais. "A minha decisão não é influenciada pela comunidade internacional nem por qualquer estrangeiro que esteja no meu país. Como nacionalista desde que eu possa provar que há fraudes, não aceito o resultado. Não aceito. Pronto. Acabou."  Aqui.
Adenda 3 às 19:48: Afonso Dhlakama e a Renamo estão claramente à frente na contagem provisória dos votos na cidade de Nampula para as presidenciais, legislativas e assembleias provinciais. Nas presidenciais, por exemplo, Dhlakama reúne cerca de 69 mil votos e Nyusi da Frelimo cerca de 53 mil - registo do noticiário das 19:30 da "Rádio Moçambique".
Adenda 4 às 20:02: prevê-se que às 21 horas comecem a ser divulgados os resultados preliminares de Quelimane.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (4)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Quarto número da série. Passo ao segundo ponto do sumário proposto aqui, a saber: 2. Dhlakama e a profecia autorealizável. Um prognóstico, uma convicção, uma esperança pode tornar-se real, pode acontecer. Uma previsão pode gerar determinados comportamentos. Regressado das montanhas guerrilheiras, forte da sua oposição armada ao governo central, capaz de pôr em cheque a vida e o futuro do país, político hábil à testa de uma equipa negocial vitoriosa, protegido por uma guarda pretoriana e chancelado por diplomatas estrangeiros, o presidente da Renamo reentrou na vida civil como herói. Aqui e acolá, surgiram epítetos como "messias", "herói", "pai" e "salvador". Em campanha eleitoral, ainda que tardiamente, viu-se rodeado de multidões, em comícios e estradas. Perante tanta gente, tanto aceno, tanto braço levantado, tanto sorriso, o presidente da Renamo surpreendeu-se e extasiou-se. Convenceu-se de que, desta vez, à quinta tentativa eleitoral, absolutamente venceria, sem dúvida de que toda aquela gente, comício após comício, estrada após estrada, era disso, por antecipação, a prova insofismável. A profecia autorealizar-se-ia, tomaria corpo - decidiu. Falando dele na terceira pessoa, como também era hábito de César, disse: "Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha." E assim acreditaram e decidiram os seus admiradores, os membros do seu partido, as suas bases sociais.

"Cadernos de Cências Sociais": 2 livros lançados ontem no Brasil

Ontem, às 18 horas, no saguão térreo da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, no Brasil, durante o VIII Simpósio Brasileiro de Psicologia Política, a psicóloga brasileira Jaqueline de Jesus, lançou, com sucesso, dois livros da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", nos quais é co-autora. Assim, pouco a pouco, lançamento a lançamento, se mundializa, se conhece e se populariza a coleção "Cadernos de Ciências Sociais", da Escolar Editora.
No dia 24, em Luanda:
Recorde a coleção aqui. Para lançamentos anteriores, recorde aqui, aqui e aqui. Se quiser ampliar as imagens, clique sobre elas com o lado esquerdo do rato.

Resultados eleitorais: a luta das duas linhas analíticas

Continuamos a viver em Moçambique momentos de intensa paixão política. Esta paixão política é especialmente visível nas análises e nos comentários que vão surgindo a propósito dos resultados provisórios fornecidos seja pelo Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, seja pelo Observatório Eleitoral. Análise e comentários feitos em blogues (em particular nos do copia/cola/mexerica), nas redes sociais digitais (em especial no Facebook) e em certos jornais digitais.
De forma clara, estão em luta, directa e/ou indirecta, duas linhas analíticas: a linha do positivo e a linha do negativo.
A primeira linha dá ênfase aos aspectos eleitorais positivos, aos elogios dos observadores nacionais e internacionais e à posição cimeira nos resultados provisórios de Filipe Nyusi e do Partido Frelimo. Não recusa os aspectos negativos, mas atribui-lhes um papel inteiramente secundário e aleatório. A sua tese é esta: o sistema eleitoral funcionou globalmente bem, as pequenas mazelas não o afectaram e a vitória de Nyusi e a da Frelimo são legítimas.
A segunda linha dá ênfase aos aspectos eleitorais negativos, às críticas dos observadores nacionais e internacionais e, entre o que entende serem inúmeras irregularidades, à fraude. A esta posição estão agregados ciberprodutores e disseminadores do boato de que a Frelimo organizou a fraude através de uma empresa israelita especializada em software e sistemas eleitorais, à qual pagou uma fortuna. A sua tese é esta: os resultados da Frelimo estão viciados por um sistema eleitoral intencionalmente falsificado.
Entretanto, em meio ao bulício das paixões, das tormentas, dos jogos políticos e dos boatos, maquiavélica surge a posição de Afonso Dhlakama: propõe não uma impugnação jurídica das eleições, mas uma negociação política dos resultados. Aqui. É em momentos como este que, na verdade, o Maquiavel de "O Príncipe" é útil no sentido de aprendermos que não basta ser leão: “Como o leão não se sabe defender das armadilhas e a raposa não se sabe defender dos lobos, é necessário ser raposa para conhecer as armadilhas e leão para meter medo aos lobos. Os que querem fazer apenas de leão não percebem nada do assunto”.

18 Outubro 2014

"Negociação política" - Dhlakama segundo o "Txeka-lá"

"Tendo em conta as irregularidades que mancharam o processo de votação, o candidato da Renamo propõe a negociação política como meio de solução. Questionado pela equipa do Txeka se o fundamento da negociação política era ou não a criação de Governo de coligação, o candidato às presidenciais da Renamo respondeu "Não sei"." Aqui.
Adenda às 16:34: se o que disse Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, é o que o "Txeka-lá" registou (e não há razão para duvidar), falta saber se o que está a ser proposto é um diálogo a dois, Renamo+Frelimo, algo inserível no processo negocial do Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano. Por palavras mais directas: algo privatizado. Se assim for, isso contraria a posição de Dhlakama registada ontem aqui. Por outras palavras também: tratar-se-ia de substituir a impugnação jurídica das eleições por um acordo privado entre dois partidos. Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos.
Adenda 2 às 18:37: No Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (63), com data de hoje, editado por Joseph Hanlon: "O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, disse que quer negociar com o governo sobre as eleições. Falando numa conferência de imprensa em Maputo, esta tarde (sábado), em resposta a perguntas, ele repetidamente recusou-se a confirmar a indicação na quinta-feira ppelo seu porta-voz de imprensa António Muchanga de que a Renamo não aceitou as eleições. Em vez disso, disse que "isso não pode ser tratado tecnicamente. Devemos negociar um resultado." [...] Comentário (Joseph Hanlon): Suas palavras foram cuidadosamente escolhidos, para se afastar da rejeição das eleições feita por Muchanga na quinta-feira. Ao invés disso, disse que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) ainda não havia anunciado os resultados, pelo que era muito cedo para aceitar ou rejeitar. Mas o seu principal apelo foi para novas negociações sobre as eleições. Sente-se claramente que o apoio de pelo menos um terço dos eleitores eleva o seu status nas negociações. E ele mantém uma força armada. [...] Pode esperar um cargo de vice-presidente a ser criado para ele." (tradução do inglês por mim, CS)
Adenda 3 às 18:55: a posição de Dhlakama é, agora, muito clara: ele não está preocupado com a claridade das eleições, mas com a claridade de acordos políticos proveitosos. Recorde o terceiro cenário aqui.

Resultados eleitorais: a luta das duas linhas analíticas

Um documento

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Atenção aos boatos políticos

Atenção aos boatos políticos intencionalmente produzidos.

Quintas eleições gerais de Moçambique (7)

Sétimo número da série. O "Notícias" continua a fornecer dados do apuramento preliminar dos resultados, através do Secretariado Técnico de Admnistração Eleitoral. Segundo o apuramento de ontem à noite, o candidato Nyusi e a Frelimo lideram, mas Dhlakama está à frente nas províncias de Nampula, Zambézia (os dois maiores círculos eleitorais do país) e Sofala e a Renamo nas províncias de Sofala e Zambézia. O candidato Daviz Simango e o MDM continuam em terceiro lugar. Cerca de 11 milhões de pessoas foram recenseadas para votar. Aqui.
Adenda às 05:25: O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, disse que irá contestar as eleições do dia 15 de Outubro por terem sido injustas e marcadas por fraude, mas que não haverá mais guerra no país. Aqui.
Adenda 2 às 06:02: o porta-voz do MDM, Lutero Simango, afirmou à "Rádio França Internacional" que o seu partido não aceita os resultados provisórios e garantiu que "vamos para uma batalha jurídica e estamos dispostos a ir até às últimas consequências". Aqui.
Adenda 3 às 06:08: segundo Ivone Soares da Renamo, Afonso Dhlakama falará do processo eleitoral hoje, às 14 horas, no Hotel Cardoso, cidade de Maputo. Aqui.
Adenda 4 às 06:16: "Até ao princípio desta tarde, das 17.010 mesas de voto, tinham sido processadas 5.720, o que corresponde a 33.63 %." Aqui.
Adenda 5 às 08:27: segundo um jornalista sedeado em Quelimane, esta manhã, em conferência de imprensa, a Comissão Eleitoral local vai divulgar resultados provisórios da cidade.
Adenda 6 às 15:11: relatório preliminar da Ordem dos Advogados de Moçambique e da SADC Lawyers Association, aqui.
Adenda 7 às 19:38: ainda não saíram os resultados provisórios do escrutínio em Quelimane.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (3)

"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Terceiro número da série. Entro no primeiro ponto do sumário proposto no número anterior, a saber: 1. Emoções, predisposição a crer e impermeabilidade à dúvida. Continuamos a viver grandes emoções políticas, paixões ferverosas, inquietação social. Emoções, paixões e inquietação decorrentes de uma fase de intensa - quase religiosa - fidelidade partidária. Dentro de cada feudo partidário habita a predisposição a crer em tudo o que é opinião de dentro e a recusar tudo o que é opinião de fora, habita a impermeabilidade à dúvida sobre os de dentro e seus processos no dialético momento em que tem curso a dúvida e a desconfiança sem perímetro sobre os adversários e seus processos. Estamos diante do efeito semáforo: o verde para os nossos, o vermelho para os adversários. Nestas circunstâncias de luta e de conflito de interpretações, escrever e analisar o que se passa tem um risco: o de podermos ser acusados de servir um determinado lado. Mas aqui apenas há um lado, rigorosamente só um lado: o das hipóteses. Nestas hipóteses o objectivo é - citando Paul Ricoeur - a "interpretação, diremos, é o trabalho de pensamento que consiste em decifrar o sentido oculto no sentido aparente, em desdobrar os níveis de significação implicados na significação literal."

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1084, de 17/10/2014, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

Pedido: caso possível, podem dizer-me se baixam com facilidade o texto via google? Obrigado.

Pungente

No "@Verdade" digital: "Na Reserva de Mecubúri, considerada a maior do país e a segunda em extensão do continente africano, que ocupa uma área de 230 mil hectares, localizada a cerca de 50 quilómetros da vila sede distrital, na província de Nampula, já não se fala de recursos faunísticos, pois estes se esgotaram. A caça furtiva perpetrada por cidadãos nacionais e estrangeiros contribuiu para a extinção de alguns animais de grande porte, nomeadamente gazelas, javalis, elefantes, leões e rinocerontes. Para as comunidades locais, ficaram apenas recordações." Aqui.

17 Outubro 2014

Está a Renamo a denunciar o seu próprio povo?

Sobre a rejeição dos resultados eleitorais por parte da Renamo, anunciada pelo seu porta-voz António Muchanga, um comentário com o título em epígrafe da autoria de Joseph Hanlon (na imagem), editor do Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (62), com data de hoje: "Todos os STAEs que não conseguiram emitir credenciais para os observadores, delegados e MMVs têm um diretor-adjunto da Renamo e mais dois funcionários designados pela Renamo. Cada STAE é, por sua vez, supervisionado por uma comissão eleitoral com dois membros nomeados pela Renamo.[...] Assim, a incapacidade para impedir o enchimento das urnas deve ser atribuída aos delegados da oposição e MMVs. Os locais onde estes não foram nomeados, foi por falha do partido. E onde estes não estiveram presentes porque as credenciais não foram emitidas, foi por falha dos directores-adjuntos do STAE e os dois membros Renamo na comissão eleitoral, que foram nomeados precisamente para fiscalizar e evitar que tais problemas ocorressem. [...]" Esse comentário e outros textos sobre as eleições, aqui.
Adenda às 19:39: um jornalista sedeado em Quelimane disse-me há momentos haver muitas irregularidades nas actas de Quelimane (por exemplo, actas rasuradas e actas carimbadas mas não preenchidas), razão por que as tendências de voto ainda não foram anunciadas.

Eleições: mais uma conferência de imprensa hoje

Hoje, às 11 horas, na sala dos grandes actos do Parlamento Juvenil, cidade de Maputo, o Parlamento Juvenil, o Centro de Integridade Pública, o FORCOM, a Liga de Direitos Humanos e o Fórum Mulher terão iniciado uma conferência de imprensa sobre o processo eleitoral. Aqui.
Adenda às 13:00: nenhuma referência na "Rádio Moçambique" no seu noticiário das 12:30.

Agora é a vez do MDM

Depois da conferência de imprensa da Renamo ontem, é agora a vez do MDM dar a sua, hoje, às 10 horas, na sede do seu partido na Beira. Aqui.
Adenda às 09:40: pode acontecer que tome a mesma posição da Renamo.
Adenda 2 às 13:03: eis o discurso do presidente do MDM, Daviz Simango, na conferência de imprensa, aqui.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (2)

"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Segundo número da série. Para melhor organização das hipóteses que vão seguir-se, proponho-vos  seguinte sumário:
1. Emoções, predisposição a crer e impermeabilidade à dúvida
2. Dhlakama e a profecia autorealizável
3. A sedução das multidões e a crença absoluta na vitória
4. Estrutura do pensamento circular
5. Fraude e julgamento retrospectivo
6. Fraude e indução simplificadora
7. Fraude e movimento infra-intelectual de precedência afectiva
8. Teorias da grande conspiração e o papel da mão externa
9. Os votos estão contaminados ou a alma da metáfora de Esopo
10. Impacto da violência física e simbólica adversária
11. Bases sociais e cenários políticos

Amanhã neste diário

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (1)

"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
O desejo de que algo aconteça pode concretizar-se, uma previsão pode realizar-se, uma profecia pode tornar-se realidade. Aqui. Entretanto, aguarde o sumário desta nova série.