O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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26 abril 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [3]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Número anterior da série aqui. Segue-se, agora, o fim da resposta à primeira pergunta.
Celso Ricardo: Regra geral, por que os linchamentos não ocorrem dentro da cidade de cimento?
Eu: Concretamente, em relação à sua pergunta, depende do tipo de linchamento que está em causa, porque há vários tipos de linchamentos. Por exemplo, há dias a "Rádio Moçambique" reportou que duas pessoas foram linchadas em Gaza, acusadas de prática de feitiçaria. Entre as seis pessoas indiciadas do crime e detidas em Chicualacuala e Bilene, estavam professores. O linchamento por acusação de feitiçaria é uma coisa, o linchamento por acusação de roubo ou estupro é outra. Se estiver em causa o linchamento periurbano por acusação de roubo ou estupro e em relação à sua pergunta no tocante à cidade do cimento, talvez possamos ter em conta factores como os seguintes: segurança (pública e privada) mais visível, iluminação, estrutura habitacional diferente, grande circulação rodoviária, sociabilidades distintas, privacidade, etc.

CaVaTeCo

Leia a 1ª edição do CaVaTeCo, boletim informativo da Associação Rural de Ajuda Mútua/Nampula, aqui.

25 abril 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [2]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Número inaugural da série aqui. Prossigo com a primeira pergunta e a continuidade da resposta.
Celso RicardoRegra geral, por que os linchamentos não ocorrem dentro da cidade de cimento?
EuEstamos perante um exercício de privatização criminogénea da justiça. Por hipótese, este tipo de crime colectivo pode situar-se na figura do crime “por sentimento de justiça”, provocado por um sentimento de frustração. Em sua elementaridade, trata-se de um crime cometido como resposta a uma injustiça, real ou imaginada, que se acredita ter sido exercida sobre uma comunidade ou uma família. Ladrões ou feiticeiros atormentam as pessoas, a polícia é suposta não agir eficazmente, então pessoas juntam-se e lincham o ou os supostos autores do mal. Esse grupo de pessoas torna-se como que a versão vingativa local de Michael Kohlhass, protagonista – com o seu bando - do romance de Henriche von Kleist. [resposta à pergunta prossegue no próximo número]

25 de Abril de 1974

Comemora-se hoje mais um aniversário da revolução dos cravos ocorrida em Portugal a 25 de Abril de 1974. Saiba aqui, veja aqui e recorde a canção do falecido cantor e compositor Zeca Afonso (leccionou muitos anos em Moçambique, em particular na cidade da Beira) que serviu de senha para o início da revolução que levou à queda da ditadura em Portugal e constituiu um passo importante para a independência de Moçambique a 25 de Junho de 1975.

Um prisma sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, aqui.

24 abril 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [1]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Em 2011 fui entrevistado sobre linchamentos pelo jornalista Celso Ricardo de O País. Por me parecer que as minhas afirmações continuam actuais, reproduzo-as na íntegra nesta série.
Celso RicardoRegra geral, por que os linchamentos não ocorrem dentro da cidade de cimento?
Eu: Permita-me, em primeiro lugar, definir o linchamento, fenómeno que afecta vários países. Linchamento é a execução sumária de alguém por uma multidão, grande ou pequena, não importa o tamanho. Acusada de um crime real ou imaginário, culpada ou não, a vítima não tem qualquer hipótese de defesa, não tem qualquer tipo de protecção legal. O linchamento é um crime abominável. Uma multidão tornada homicida decide do destino de outrem indefeso, roubando ao Estado o monopólio da justiça e da penalização [resposta à pergunta continua no próximo número].

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1215 de 21/04/2017, aqui.

23 abril 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.

Notas sobre a normalização política do corpo [16]

16. Número anterior aqui. O controlo da sexualidade é um momento importante do controlo político e, portanto, um momento de controlo do protesto, da rebelião, da contestação, da transgressão corporal.

22 abril 2017

Notas sobre a normalização política do corpo [15]

15. Número anterior aqui. A feminização do corpo masculino (brincos, tranças) é igualmente motivo de preocupação em certos círculos dado partilhar a subversão efectuada pela sexualidade feminina.

Uma coluna de humor

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1215, de 21/04/2017, página 27, disponível na íntegra aqui.

Ética na imprensa escrita em Moçambique

Uma pesquisa sobre questões éticas na imprensa escrita em Moçambique produziu os resultados conferíveis aqui.

21 abril 2017

Vencedores

Vencedores do Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais, edição 2016, confira aqui.
Adenda às 18:02: em breve estará disponível o regulamento para a edição 2017, agora dedicada a todo o mundo académico de língua portuguesa.

Existem valores universais? O que é opinião pública?

Entreguei anteontem à Escolar Editora o 32.º livro da coleção Cadernos de Ciências Sociais intitulado "Existem valores universais?", com autoria de Desidério Murcho (Portugal), Sergio Lessa (Brasil), João Borges de Assunção (Portugal) e Vicente Paulino (Timor-Leste), fotos abaixo.
​O 33.º livro chamar-se-á "O que é opinião pública?", tem data de entrega aprazada para 19/05/2017 e co-autoria de Susana Borges de Portugal e, do Brasil, Rudimar Baldissera, Emerson Cervi e Gabriel Herkenhoff Moura, fotos abaixo.

20 abril 2017

Notas sobre a normalização política do corpo [14]

14. Número anterior aqui. Se o corpo da mulher já é um problema, o seu corpo desnudo é uma catástrofe social - assim se sente e se faz pulsar na crítica. Se o corpo do homem é natureza, o corpo da mulher é sociedade: natureza aceita-se, sociedade discute-se e critica-se. É normal um homem a correr de tronco nu na 24 de Julho da cidade de Maputo; é inconcebível e perigoso uma mulher fazer o mesmo.

Uma coluna de humor

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1214, de 14/04/2017, página 27, disponível na íntegra aqui.