O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Olá para todas e todos vós, obrigado por visitarem este diário, criado a 18 de Abril de 2006. Aqui encontrareis, diariamente, um pouco de tudo, do que gostais e do que não gostais. Sintam-se bem e regressem sempre. Índico abraço.
Myspace Layouts
<div style="background-color: none transparent;"><a href="http://www.rsspump.com/?web_widget/rss_ticker/news_widget" title="News Widget">News Widget</a></div>

01 agosto 2015

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1125, de 31/07/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

Formais de fora, informais de dentro

No "Notícias" digital: "Nas lojas encontram-se maioritariamente comerciantes estrangeiros, com destaque para nigerianos, guineenses, serra-leoninos, etíopes, congoleses e quenianos, e do lado de fora, os nacionais, que se dedicam ao comércio informal." Aqui.

31 julho 2015

Amanhã neste diário

Quatro novos números de "Cadernos de Ciências Sociais"

Já estão disponíveis no portal da "Escolar Editora" e chegarão brevemente a Maputo quatro novos números da coleção "Cadernos de Ciências Sociais". Aqui e aqui. Há 14 números editados e dois no prelo, o primeiro surgiu em Março de 2013.

Curto-circuito da razão na Escola Secundária de Nampula [2]

Segundo número desta série. Os extractos de jornais apresentados ontem no primeiro número desta série revelam um fenómeno: a dificuldade de saber o que exactamente deu origem ao medo e à debandada descontrolada de centenas de estudantes da maior escola do ensino secundário do Norte do país, quando realizavam provas trimestrais. Uma suspeita tornou-se uma realidade colectivamente partilhada. A individualidade perdeu-se na multidão em pânico, a razão cedeu lugar à emoção. Na continuidade da série serão apresentadas algumas hipóteses para explicar o que se passou.

Democracia

Perante tantas modalidades de crueldade - sem história mas na história, sociais mas naturalizadas, finitas nos percursos mas infinitas nos exemplos -, não devem surpreender as dificuldades de pôr em prática o que se chama democracia, palavra que hoje tantos usam como se o uso e o símbolo fossem a prática.

30 julho 2015

Curto-circuito da razão na Escola Secundária de Nampula [1]

No "Notícias" digital de hoje: "Pelo menos 300 alunos da Escola Secundária de Nampula foram submetidos a tratamentos médicos ontem no Hospital Central local, na sequência de ferimentos ligeiros sofridos e factores emocionais registados depois de um suposto curto-circuito eléctrico ocorrido numa das salas de aula. O facto provocou pânico entre os estudantes, que tentaram abandonar o recinto precipitadamente, à procura de um lugar mais seguro." E acrescentou o jornal: "A nossa Reportagem, que se deslocou ao estabelecimento de ensino em causa, não conseguiu nenhum testemunho dos alunos que prestavam provas nas salas dos dois pisos superiores do edifício que pudesse falar desvendar o milando." Aqui.
No "Diário de Moçambique" digital de hoje: "Dados disponíveis indicam que tudo aconteceu quando um estudante da sala 8, localizada no primeiro andar de um dos blocos daquela escola, se assusta, alegando ter visto uma explosão, o que provocou agitação, incluindo da própria professora, que se encontrava a controlar a prova. [Na ocasião, os alunos e a professora puseram-se a correr de um lado ao outro clamando por socorro contagiando o resto das turmas e da escola, numa altura em que a concentração se exigia." Aqui.
No "Wamphula Fax" digital de hoje: "A nossa reportagem, que se deslocou à ESN não conseguiu qualquer testemunho entre os alunos que prestavam provas nas salas dos dois pisos superiores do edifício, que pudesse dizer algo sobre o suposto circuito eléctrico na respectiva instalação."
Adenda às 08:03: de acordo com uma fonte digna de crédito com quem contactei há momentos, terá havido um curto-circuito em dois quadros de derivação [não no principal] e, segundo testemunhas, não foi seguido de incêndio, mas do cheiro forte a queimado que se propagou por alguns corredores. Uma equipa da EDM trabalha para apurar as reais causas do curto-circuito. Não há registo de fatalidades e o governo provincial monitora de perto a situação. A escola encerrou a actividade lectiva, retomando-a em princípio na próxima segunda-feira.
Adenda 2 às 10:23: nada prova que tenha havido uma explosão tal como se defende no portal da "Rádio Moçambique", aqui.
Adenda 3 às 17:44: A página no facebook do "@Verdade" refere ter havido uma "explosão de um quadro de energia eléctrica num dos edifícios da Escola Secundária de Nampula". No último parágrafo do texto refere ter havido um incêndio. Aqui.
Adenda 4 às 14:45 de 01/08/2015: segundo a "Lusa", "A fuga deu-se na sequência do rebentamento do quadro eléctrico da escola, devido a um curto-circuito, numa altura em que se encontravam no estabelecimento cerca de três mil alunos a fazer testes." Aqui.

Informados e formados

Multiplica-se o diz-que-diz sobre confrontos militares na província de Tete. Alguém faz uma conferência de imprensa e afirma ao mundo, com ar grandiloquente, como se porta-voz de um segundo Estado no país, que os guerrilheiros do seu partido mataram dezenas de soldados governamentais intrometidos. De imediato, blogues do copia/cola/mexerica, páginas de certas redes sociais e jornais do bula-bula replicam e ampliam a informação, assumida como verdadeira. O Ministério da Defesa não reage, o diz-que-diz multiplica-se a todos os níveis. O que acontece, quando acontece, é, alguns dias depois, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, um representante governamental dizer algo a propósito, contestando frouxamente. Ou, então, surge, tardiamente, um órgão de informação oficial a escrever o que já foi dito pelo diz-que-diz. Esta situação, por frequente, mostra a necessidade imperiosa de o Ministério da Defesa manter os cidadãos permanentemente informados e, dessa maneira, formados. Reside aí um dos pilares da legitimidade de um Estado.

Racismo religioso

O racismo religioso assenta em três pressupostos: (1) Verdade exclusiva que se atribui a uma espécie de deus privatizado e a normas supostamente criadas por ele ou por um seu emissário em terra; (2) Vocação guerreira e eliminatória para defesa da verdade e das normas; (3) Aplicação de uma justiça terrena que se acredita ser a mais pura e legítima.

O esquecimento como solução

Um texto do escritor e periodista argentino Guadi Calvo sobre a mais jovem nação do mundo, o Sudão do Sul, aqui.

29 julho 2015

Fungulamaso perante mísseis ideológicos

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6)
Os boatos ganham terreno quando duas condições estão reunidas: incerteza e medo. Há dois tipos de boatos: os espontâneos e os intencionalmente provocados. Neste último caso - regra geral de natureza política -, podem assumir o papel de mísseis ideológicos devastadores. Por exemplo, no que concerne à província de Tete, há quem tente passar a mensagem sistemática de que há uma guerra generalizada provocada pelos maus [do exército governamental] contra os bons [do exército da Renamo, ultimamente designado por "braço armado"], com dezenas de mortos do lado governamental [aqui e acolá só falta dizer que todos os soldados governamentais morreram]. Produz-se, assim, uma atmosfera porosa de intimidação, medo e discrédito, histericamente ampliada pelos blogues do copia/cola/mexerica e por certas páginas das redes sociais [pormenor: os comentários de autores anónimos são elucidativos]. Portanto, fungulamaso=abre o olho=está atento.

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique [25]

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Vigésimo quinto número da série. Termino o sexto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 6. Sobre o ataque a lojas de comerciantes em Moçambique e África do Sul. Escrevi no número anterior que a loja é o repositório de dois fenómenos: primeiro, é lá onde estão os espécimes apetecidos de consumo, variedade e fartura; segundo, é lá onde é suposto estar não o proprietário do solo, mas o proprietário móvel das coisas que vão e vêm, da volatilidade, é lá onde estão os sinais ao mesmo tempo próximos e distantes do "estrangeiro". Por hipótese, deve ser dessa maneira, consciente ou não, que em situações de desencanto e de privação social a loja é produzida no imaginário popular. Na verdade, por trás de um acto criminoso esconde-se, ao mesmo tempo, a apetência pelo consumo e pelo nivelamento social e o protesto contra o "estrangeiro" em sua volatilidade.
Sugestão: leia um trabalho de Xolela Mangcu, no Rand Daily Mailaqui e uma intervenção de Graça Machel, aqui.

28 julho 2015

Discurso político dominante

O discurso político dominante não tem apenas a função de legitimar a dominação, mas, também, a de orientar a acção destinada a perpetuá-la e a disfarçá-la.

Desinformação e pseudoinformação

Com o título em epígrafe, um dossier com trabalhos de vários autores a conferir aqui.

27 julho 2015

Prismas

A propósito de um comício realizado em Sussundenga, província de Manica, e dirigido pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, a "Lusa" portuguesa dedicou sete parágrafos de um texto com dez à denúncia de corrupção local feita por um morador [aqui], enquanto o "Notícias" moçambicano, na versão digital, dedicou ao mesmo tema quatro linhas do antepenúltimo parágrafo de um texto com 11 parágrafos [aqui].

China maior credor de Moçambique

Segundo o "macauhub", a China já é o maior credor de Moçambique. Confira o desenvolvimento da notícia aqui.

No "Savana" 1124 de 24/07/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Representações sociais politizadas

Situadas na interface entre o individual e o colectivo, o racional e o impulsional, o consciente e o inconsciente, o imaginário e o discursivo, as representações sociais politizadas são fortemente tributárias da forma como os grupos políticos se inscreveram na história do país e nela tatuaram e tatuam os seus modelos, os seus guias de referência, os seus heróis epónimos, os seus valores, os seus clichés, os seus prejuízos e os seus estereótipos.

Oásis

Num dos bulevares da Avenida Mao Tsé-Tung, cidade de Maputo, há um jardim regularmente tratado, o que contrasta em absoluto com o desmazelo em que se encontram muitas das nossas ruas. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

26 julho 2015

Recolhe e vende garrafões de plástico de água mineral na cidade de Maputo

Conheça a história de Rosa Lokissim

Conheça a história de Rosa Lokissim, a heroína que fez frente ao regime de Hesséne Habré, no Chade, aqui.