O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2016 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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27 junho 2016

No "Savana" 1172 de 24/06/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

26 junho 2016

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número deste boletim, com data de hoje, aqui.

Guerra e hermenêutica das valas comuns em Moçambique [13]

Número anterior aqui. Prossigo no quarto ponto do sumário [recorde-o aqui], a saber: 4. Espectáculo viral das fotos. Escrevi no número anterior que bem mais forte e viral foi o efeito das fotos de choque, das fotos do horror da morte. E acrescentei que podíamos considerar dois tipos de fotos: as fotos atribuídas à vala comum de Sofala e as fotos atribuídas aos corpos a céu aberto. A publicação em Abril pela agência "Lusa" de uma notícia dando conta da descoberta [não comprovada até agora] de uma vala comum com cerca de 120 corpos em Sofala, deu origem, rapidamente, ao surgimento de falsas e chocantes fotos - sem nenhuma relação com Moçambique - em vários quadrantes da internet. Por exemplo: este blogue [seria possível citar outros blogues do género copia/cola/mexerica] recorreu ao recorte de uma foto das Filipinas para ilustrar a notícia dos 120 corpos, confira aquiaqui e aqui:
Um blogue, creio que guineense, ostenta a foto abaixo:
Um terceiro portal não ficou atrás [confira também aqui] e fez uso da sofisticada foto abaixo, que nada tem a ver com Moçambique:
Um quarto portal decidiu juntar à notícia dos 120 corpos o que chamou "foto de arquivo", como segue:
Para ilustrar a notícia dos 120 corpos, os autores de um quinto portal encontraram na internet a "foto de arquivo" com os ossos que consideraram adequados, como segue:
Finalmente, prestem agora atenção à foto [creio ser sul-americana] que se segue, colocada num portal cujo autor escreveu ser "um jovem estudante, blogueiro e amante da internet": 
Observação amena: os utilizadores das fotos em epigrafe, cada um à sua maneira, certamente tiveram em vista fazer uma introdução ao escândalo do horror. Para citar Roland Barthes: "A fotografia literal é uma introdução ao escândalo do horror, não ao próprio horror" [Fotos de choque, in Mitologias. Lisboa; Edições 70, 1973, p.140]

25 junho 2016

Dívida pública e FMI

Confira um despacho da "Agência de Informação de Moçambique" aqui e a posição de Luisa Diogo aqui.

Moçambique faz hoje 41 anos

Hoje, 25 de Junho de 2016, o nosso país faz 41 anos, pois nasceu a 25 de Junho de 1975. O aniversário do nosso jovem país não deve conjugar-se no presente do indicativo, mas no futuro. Tenhamos orgulho nele, tenhamos orgulho na nossa pátria sejam quais forem os problemas e os desencontros. E ao tê-lo e ao praticá-lo, ao orgulho, façamos nossas também as outras pátrias. Com as raízes aqui, sejamos a todo o momento a copa do mundo, frondosa e hospitaleira. Oiçam o hino nacional aqui. Finalmente, para aqueles que eventualmente por aqui passarem e hoje também façam anos, parabéns habitados pela saúde.

Guerra e hermenêutica das valas comuns em Moçambique [12]

Número anterior aqui. Inicio o quarto ponto do sumário [recorde-o aqui], a saber: 4. Espectáculo viral das fotos. Sem dúvida que as descrições e, em particular, a sistemática exploração numérica dos corpos, tiveram um efeito multiplicador nos leitores. Mas bem mais forte e viral foi o efeito das fotos de choque, das fotos do horror da morte. Podemos considerar dois tipos de fotos: as fotos atribuídas à vala comum de Sofala e as fotos atribuídas aos corpos a céu aberto. Se não se importam, prossigo mais tarde.

"À hora do fecho" no "Savana"

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1172, de 24/06/2016, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o microsoft office word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

24 junho 2016

Seleção temática

Seleccionar um fenómeno numa galeria de fenómenos envolve, regra geral, um ângulo de visão, um prisma, uma seleção temática, a atribuição de um coeficiente de importância.
Assim, por exemplo, no dia 23 deste mês, a propósito da intervenção da Procuradora-Geral da República na Assembleia da República, a agência noticiosa portuguesa "Lusa" produziu uma peça na qual reportou que "A procuradora-Geral da República de Moçambique, Beatriz Buchili, afirmou hoje que a sua instituição vai agir com celeridade possível na averiguação de eventuais ilícitos criminais no caso dos empréstimos que o Governo moçambicano contraiu secretamente." Aqui.
Por sua vez, também no dia 23 e a propósito da citada intervenção, a "Agência de informação de Moçambique" produziu uma peça na qual deu conta que "Agostinho Vumba, outro deputado da Frelimo, disse que de Outubro de 2015 até o presente, a Renamo protagonizou 107 ataques no país, que resultaram em 40 mortos e 79 feridos graves. Afirmou que a maioria dos ataques ocorreram nas províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, na região centro e em Nampula no norte, apontando que também houve seis ataques em Inhambane, e dois em Gaza, estas duas últimas províncias na regiao sul." Aqui.

Racionalidade

Aceitar que existem vários tipos de racionalidade cognitiva e comportamental talvez seja uma das tarefas mais difíceis da vida.

Faísca

Leia o jornal "Faísca" que se publica em Lichinga, capital da província do Niassa, aqui.

23 junho 2016

O que é opinião pública?

Há um novo tema-pergunta na coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora", a saber: O que é opinião pública? A elaboração do respectivo livro está a cargo de quatro novos Colegas: Susana Borges de Portugal e, do Brasil, Rudimar Baldissera, Emerson Cervi e Gabriel Herkenhoff.

Manifestação de 18 de Junho e prismas

Sobre a manifestação de 18 de Junho, sábado passado na cidade de Maputo, confira o prisma do "@Verdade" digital aqui e este do jornalista Gustavo Mavie no "Notícias" digital de hoje, aqui.

Guerra e hermenêutica das valas comuns em Moçambique [11]

Número anterior aqui. Termino o terceiro ponto do sumário [recorde-o aqui], a saber: 3. Competição em torno dos corpos e das definições: valas comuns e corpos abandonados. Como não apareceu a gigantesca vala comum dos 120 corpos de Sofala, passou-se à competição em torno da quantidade de corpos encontrados a céu aberto em Sofala e Manica. Contaram uns 11, outros 13, outros 15, outros mais de 20. Jornalistas de agências noticiosas estrangeiras fizeram relatos dantescos e fotos dramáticas, um vídeo foi produzido. Jornais, páginas das redes sociais digitais e blogues do copia/cola/mexerica encheram literalmente os seus espaços com notícias sensacionais [puxando aos sentidos] de corpos encontrados em zonas de confronto militar. Por vezes não se sabia bem onde estavam os corpos, confira aqui. Finalmente, estude-se o título e o subtítulo abaixo, de um jornal português:

22 junho 2016

Novo ataque da Renamo

Homens armados da Renamo atacaram hoje duas viaturas civis no distrito de Cheringoma, província de Sofala, após o que ameaçaram os ocupantes e roubaram diversos bens - "Rádio Moçambique", citando uma fonte policial, noticiário das 18 horas.
Adenda às 18:21: recorde aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

Linchamentos

Negócios em Moçambique

 Em epígrafe os cabeçalhos das três mais recentes notícias do mundo de negócios em Moçambique a conferir aqui. [se quiser ampliar a imagem clique sobre ela com o lado esquerdo do rato]

Do campo à cidade

A passagem da humanidade do campo à cidade é a passagem das coisas localizadas para as coisas globalizadas; das verdades unidireccionais para as verdades pluridireccionais; das identidades de conhecidos para as identidades de desconhecidos; dos pequenos riscos domesticáveis para os riscos urbanos e planetários; dos fenómenos encobertos para os fenómenos descobertos; do boca-a-boca aldeão para a multidimensionalidade imediata e sem fronteiras dos jornais, da publicidade, da televisão, da internet, das redes sociais e dos celulares; dos monosentidos para os plurisentidos; da sexualidade fechada para a sexualidade pública; dos caciquismos e das teocracias para as democracias eleitorais.

21 junho 2016

Uma opinião

"Sobre o desespero dos muitos" é a mais recente crónica de Sérgio Vieira, a conferir aqui.
Adenda: sobre a dívida do país, tema da primeira parte da crónica de Vieira, recorde neste diário a posição de Gabriel Muthisse, aqui.
Adenda 2 às 19:43: o ex-Presidente da República, Joaquim Chissano, pediu aos Moçambicanos para terem calma e não enveredar por conclusões precipitadas sobre a dívida do país, colocando a carroça à frente dos bois [sic], é necessário que as pessoas que trabalham no assunto o façam em condições de calma - "Rádio Moçambique", jornal da noite das 19:30.

Guerra e hermenêutica das valas comuns em Moçambique [10]

Número anterior aqui. Permaneço no terceiro ponto do sumário [recorde-o aqui], a saber: 3. Competição em torno dos corpos e das definições: valas comuns e corpos abandonados. Escrevi no número anterior que a definição de vala comum da Wikipédia foi, em certos quadrantes de consciência julgadora, rapidamente preterida em favor da definição tida como sendo da autoria da ONU. Quer a definição que surge na enciclopédia digital [aqui], quer a atribuída à ONU [aqui]*, têm em conta cadáveres enterrados, com a diferença de que a primeira refere "conjunto de cadáveres" e a segunda, "três ou mais vítimas". Ora, como não apareceu a vala comum com 120 corpos de Sofala, de imediato os cadáveres não enterrados, descobertos em Sofala e em Manica, foram, como que por metonímia, explícita ou implicitamente, havidos em certos círculos como pertencentes a valas comuns. Por outras palavas: era possível considerar valas sem valas e mandar às urtigas as definições formais. Finalizo este terceiro ponto mais tarde.
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*O que algumas pessoas consultaram foi o resumo de um livro que surge não como sendo da ONU em si mas como sendo do "United Nations Rapporteur" (=relator das Nações Unidas). Esse resumo mostra que não existe acordo sobre o que é vala comum. Já agora e sobre vala comum, sugiro leia este texto aqui.