O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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26 fevereiro 2017

Sobre a xenofobia na África do Sul

Há indícios de novo movimentos xenófobos preocupantes na África do Sul.
Hoje ainda, milhões de Sul-Africanos vivendo nos bairros pobres, aguardam, com angústia e crescente exasperação, que a África do Sul pós-apartheid permita uma vida mais digna, permita a reversão da história em seu favor e das suas famílias. Olham com despeito e desprezo para os estrangeiros afadigados em seus variados misteres, com as suas lojas, trabalhando com salários baixos e muitos certamente em situação de residência ilegal, assumem-nos como intrusos, como parasitas, como pobres que chegam para aproveitar a riqueza local.
A imputação vertical na direcção das classes possidentes locais é substituída pela imputação horizontal na direcção dos africanos estrangeiros.
São os “de baixo” que pagam, não os “de cima” locais, como que num processo de compensação perverso, de racismo sem raça. A perseguição xenófoba tem atingido momentos dramáticos, como sucedeu em 2008, 2010 e 2015.
Estamos confrontados com uma crença objectivamente falsa mas havida como subjectivamente verdadeira.
Porém, a xenofobia nada tem de especificamente sul-africano. Ela mundializa-se das mais variadas maneiras e será tão mais possante e letal quão mais politicamente se puser de lado a melhoria permanente, múltipla e efectiva das condições de vida das pessoas.
A história é, afinal, a tragédia inseparável do claro e do escuro, do diurno e do nocturno, do lógico e do ilógico, da serenidade e do desespero.

25 fevereiro 2017

Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais [2]

Número anterior aqui. O júri apurou três dos 21 trabalhos concorrentes à primeira edição [2016] do Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais. Seguem-se dados referentes ao segundo classificado.
TítuloOs direitos humanos e a questão dos refugiados: uma reexão em torno da situação dos direitos humanos dos refugiados no campo de Maratane-Nampula
Número de páginas: 88
Autor: Jorge Diogo Monteiro Palamussa
Classificação: segundo lugar
Alguma informação sobre o autor: licenciado em Relações Internacionais e Diplomacia pelo Instituto Superior de Relações Internacionais em Maputo. Trabalhou como contabilista no Centro Cultural Islâmico Abubacar Mandgirá de Nampula e tem um vasto interesse sobre assuntos relacionados com migrações internacionais e refugiados.
Prémio: 20 livros da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da Escolar Editora.
Amanhã será a vez de apresentar o primeiro classificado.

Muiambo e os parasitas

De um texto de Salomão Muiambo: "[...] estes parasitas estão hospedados em vários sectores de actividade. Nos municípios, por exemplo, abocanham as taxas e impostos diversos, vendem a terra, propriedade do Estado, adjudicam obras sem concurso público, dirigem mal os projectos, numa amálgama de irregularidades, em busca de proventos ilícitos, em claro prejuízo da instituição que representam. Na Polícia, ao invés de autuarem os prevaricadores, com as receitas a converterem-se a favor do Estado, mandam “falar como Homem”, cobrando refresco. Até extorquem turistas. Nos tribunais absolvem criminosos; nas penitenciárias soltam reclusos, nas escolas privilegiam a fraude académica nos outros serviços, tudo fazem para espoliar. É assim o nosso meio social. [...]." Aqui.

24 fevereiro 2017

Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais [1]

O júri apurou três dos 21 trabalhos concorrentes à primeira edição [2016] do Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais. Seguem-se dados referentes ao terceiro classificado.
TítuloA Influência da Educação para a Cidadania na Projecção da Imagem de Moçambique
Número de páginas: 176
Autora: Maura Gonçalves Couto
Classificação: terceiro lugar
Alguma informação sobre a autora: licenciatura em Ciências da Comunicação, na área de Marketing e Publicidade, obtida no Instituto Superior Politécnico e Universitário (actual Universidade Politécnica) de Moçambique. Trabalha actualmente como especialista de comunicação e marketing social e deseja tirar um mestrado e cursos técnicos na área das ciências sociais e comunicação para a mudança de comportamento.
Prémio: 10 livros da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da Escolar Editora.
Amanhã será a vez de apresentar o segundo classificado.

23 fevereiro 2017

Crítica aos críticos

Um editorial do jornal "Magazine Independente" em sua versão digital que critica os críticos do "Sustenta", aqui.

Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais

A partir de amanhã darei a conhecer os três vencedores do Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais - ao qual foram propostos 21 trabalhos -, cuja primeira edição (2016) foi dedicada a Moçambique mas que a partir deste ano será internacionalizado para todo o mundo académico falante de português. Recorde o regulamento da 1.ª edição aqui.

Um prisma sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com informação e análise aqui. Número anterior aqui.

22 fevereiro 2017

Água: tranquilidade por dois meses

No "O País" digital de hoje sobre o nível de água no Umbeluzi que fornece água para Maputo, Matola e Boane: "Segundo a ARA-Sul, o nível das águas subiu cerca de 40%, sendo que a bacia regista uma margem de 8 milhões de metros cúbicos, quantidade suficiente para abastecer durante dois meses, pois, mensalmente, gastam-se cerca 4 milhões metros cúbicos, tendo em conta o actual regime de restrições." Aqui.
Adenda às 15:53: confira também aqui.

Se

Se a meta for um futuro solidário, o grande desafio da humanidade talvez consista em fazer da verdade a quantidade máxima de consenso partilhável.

Sobre o capital mágico

Vamos na rua, um carro fere-nos subitamente: quantos recusariam ver nisso não o produto de uma causa ou de um conjunto de causas fortuitas (ou, como escreveu um dia alguém, “o reencontro de séries causais diferentes”), mas a expressão do azar, a sombra de uma intenção subreptícia que nos teria escolhido precisamente a nós e não a outros? Existe uma espécie de capital mágico em todos nós, sempre pronto a vir à superfície à mais pequena oportunidade, despedaçando o verniz da racionalidade escolarizada.

21 fevereiro 2017

Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais

Já são conhecidos os vencedores do Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais, cuja 1.ª edição foi dedicada ao nosso país. Recorde o regulamento no portal da editora aqui. Informação adicional será fornecida proximamente.

Feiticismo das multidões políticas

Há políticos que amam as multidões políticas, que as tomam por testemunho popular de adesão e de doação de legitimidade. Esquecem que os amantes populares de espectáculos sinestésicos são profundamente transversais e não perdem qualquer comício, seja de que político e tonalidade for. O espectáculo com políticos fazendo de messias profanos e, em meio a uma chuva de oferendas e de espectáculos musicais, prometendo transformar a terra no céu e a pobreza na riqueza, naturalmente que atrai gente sequiosa tal como a limalha atrai o ferro. 

À hora do fecho

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1206, de 17/02/2017, disponível na íntegra aqui.

20 fevereiro 2017

No "Savana" 1206 de 17/02/2017, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.
Nota: o presente fungula pertence à edição física n.º 1206 do semanário "Savana" com data de 17/02/2017. Se for possível disponibilizarei a versão digital dessa edição.

A lâmpada política de Aladim

De pacato cidadão, o candidato a presidente transforrma-se em pessoa excitada, o seu discurso torna-se messiânico, a motricidade corporal não tem perímetro. Acredita que não é ele, mas outro, um outro fora do comum, ele-mesmo afinal. É em meio a essa atmosfera de sobreexcitação que o candidato gere a sua lâmpada política de Aladim, prometendo transformar para melhor a vida da terra e das pessoas. Por sobreexcitação, por contágio, o candidato a presidente - não importa de que partido - tudo faz para criar o estado de crença nas multidões, hipnotizando-as - e hipnotizando-se - com promessas sem fim de parusia terrena.