Blogue seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Olá, sejam bem-vindas e bem-vindos a este espaço, diariamente renovado desde 2006.Sintam-se bem e regressem sempre. Índico abraço.
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17 Setembro 2014

Frases eleitorais

Filipe Nyusi da Frelimo
“No nosso projecto de governação, nos próximos cinco anos, vamos aumentar a produção de energia, vamos expandir a energia, vamos investir na energia de qualidade. Esta é a minha aposta de governação". Aqui.
Afonso Dhlakama da Renamo
"Votem em mim, eu sou a solução, sou o único que conheço os vossos problemas. [...] Votem em Afonso Dhlakama e na Renamo. Assim não haverá um terceiro acordo [...]. Aqui e aqui.
Deviz Simango do MDM
"Só os fracos é que podem fazer provocações e gerar violência, enquanto os fortes não respondem a provocações. E porque vocês são fortes, são educados e sabem perdoar, nunca devem responder a qualquer provocação nem fazer violência”. Aqui.

Amanhã

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

O poder de muitas coisas

Lá onde as possibilidades de ascensão social são em menor número, onde o horizonte é mais estreito, mais paroquial, é lá onde a luta é mais dura, é lá onde o caciquismo é mais virulento, muitas vezes à revelia das grandes e nobres decisões públicas, muitas vezes contra aquilo a que chamamos moral, é lá onde quem tem poder absolutamente não deseja perdê-lo. Se pudéssemos ser deuses e colocar uma invisível máquina de filmar em cada micro canto político de luta por recursos vitais, talvez nos surpreendêssemos - nós, os dos lugares distantes - com a multiplicidade de acções destinadas a barrar, não importa como nem onde, o acesso dos adversários, quando está em causa o poder que se tem, que não se quer partilhar, que se receia perder, que se deseja ampliar, pelo qual se é, até, capaz de dar a vida ou de a tirar a outrem. Que poder? O poder de muitas coisas, das físicas às simbólicas, das simples às complexas.

16 Setembro 2014

Faleceram Mabay Tembe e José Capela

Faleceram Jorge Mabay Tembe (foto à esquerda) e José Capela, pseudónimo de José Soares Martins (foto à direita), duas figuras que desempenharam papéis importantes na história do nosso país. Paz às suas almas.

Tropismos políticos

É habitual encontrarmos no "Notícias" referências a desertores do MDM e na Renamo que se filiam ou refiliam na Frelimo. Aqui. Porém, há jornais, como o "Canal de Moçambique", que dão conta do movimento inverso, por exemplo da Frelimo para o MDM. Aqui.
Adenda às 12:01: recorde neste diário aqui e aqui.

Produzir a dominação

[...] em lugar de atribuírmos à aleivosia e ao engenho de outros as razões do nosso comportamento resignado, procuremos em nós as razões – certamente históricas, certamente múltiplas, certamente diversas - da dominação, coloquemo-nos o problema da seguinte forma: não são os outros que nos dominam, somos nós quem, em última análise, produz a dominação, aceitando-a e, até, amando-a. Aqui.

15 Setembro 2014

No "Savana" 1079 de 12/09/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Cartazes 2014: a guerra das trincheiras políticas em Moçambique (4)

Quarto número da série. Entro no segundo ponto do sumário proposto aqui3. Programadores e afixadores. Os programadores são aqueles que têm a seu cargo a criação dos cartazes, são ou funcionários de agências de propaganda ou meros publicitários. Os afixadores são aqueles cuja função é disseminar a criação dos primeiros. Se estivermos atentos à cidade de Maputo, veremos que os afixadores são muitas vezes jovens do sexo masculino. Afixar cartazes torna-se um jogo imponente e decisivo: ele são afixados não importa onde, desde que retire o lugar ao adversário, não poucas vezes entre risos e imprecações em caso de confronto com afixadores adversários. Veja-se, por exemplo, o cercado na Julius Nyerere, lá onde a IURD queria construir o seu templo-mor.
Adenda às 09:51: nem o mural em frente ao Clube Naval, na marginal, escapou.

Para descolonizar e historicizar a "história natural" (4)

Quarto número da série. Deixei a seguinte pergunta no número anterior: quando chegamos à independência nacional em 1975 que tipo de visão existia sobre a vida e a história dos Africanos em geral e dos Moçambicanios em particular? A visão, a concepção que existia era a de um povo sem história, mero aglomerado de tribos com os seus costumes imemoriais, repetindo-se. No fundo, uma extensão da teoria de Hegel.

Eleições 2014 e balística política: representações sobre adversários (5)

Quinto número da série. Como já observei, esta série é tributária dos relatos e das análises que vão surgindo na imprensa sobre a construção política dos adversários. "Inclusiva" é uma das palavras mágicas que tem insistentemente surgido na retórica dos candidatos presidenciais. Na verdade, cada candidato afirma que a sua governação será inclusiva, o que significa atribuir aos rivais incapacidade para aí chegar. Porém, nenhum parece disposto a revelar o que entende por governação "inclusiva", nenhum declara, por exemplo, que se for eleito formará um governo com membros de partidos rivais. Cartune reproduzido com a devida vénia daqui.

14 Setembro 2014

Para descolonizar e historicizar a "história natural" (3)

Terceiro número da série. Em todos nós talvez habite ainda o aguilhão colonial, o aguilhão de considerar os seres humanos de uma certa maneira. Quando chegamos à independência nacional em 1975 que tipo de visão existia sobre a vida e a história dos Africanos em geral e dos Moçambicanios em particular?

Estabelecidos e outsiders

Os estabelecidos (nacionais, proprietários, "donos da terra", partido "no poder", gestores de cargos governamentais, empresários, etc.) tudo farão para continuar a ser detentores de recursos; os outsiders esforçar-se-ão por questionar os "direitos adquiridos" e/ou desalojar os primeiros. Atacar os "direitos adquiridos" é considerado pelos primeiros como atacar a ordem estabelecida. Toda a ordem jurídica e judiciária está estruturada para assegurar esses direitos e punir as infracções. Os seus gestores tudo farão para apresentar os seus interesses como interesses de todos, como interesses universais desde sempre existentes, como interesses naturais. Ainda que, estabelecidos os hábitos, tome curso a cegueira das origens (um bocado a "câmara escura" de Marx e Engels), os actores em competição estão sempre aptos a estar conscientes do que fazem e do por que fazem, uns por estarem "estabelecidos", outros por quererem "estabelecer-se". - adaptação do resumo (da minha autoria, CS) da obra de Elias, Norbert et Scotson, John L., Logiques de l´exclusion, Enquête sociologique ao cœur des problèmes d´une communauté. Paris: Fayard, 1997.

13 Setembro 2014

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1079, de 12/09/2014, disponível na íntegra aqui:
Notas: de vez em quando um leitor queixa-se de não conseguir baixar o semanário "Savana" neste diário. Só tem de executar os seguintes três passos: clicar no "Disponível na íntegra aqui" da postagem, a seguir no "Baixar" do programa 4Shared e, a terminar, no "Baixar grátis" também do programa. Por outro lado, de vez em quando também me perguntam por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

Vício

O vício que têm certas pessoas não só de falarem em nome de um povo que não lhes deu mandato para o efeito, como de afirmarem conhecer o que ele pensa e por quem vai votar.

O que sabem?

O que sabem Afonso Dhlakama e Maria Guebuza? Segundo o "Notícias", o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, sabe "o que toca o coração dos moçambicanos", aqui. Por sua vez, a primeira-dama do país, Maria Guebuza, citada pelo "Notícias", afirmou que "a Frelimo e o seu candidato presidencial Filipe Nyusi já venceram as eleições gerais deste ano". Aqui.

12 Setembro 2014

Governo de Michelle pretende anular Lei de Amnistia de Pinochet

No El País Internacional: "Justamente no aniversário de 41 anos do golpe de Estado de 1973, o primeiro vivido por Michelle Bachelet em seu segundo mandato, a socialista mandou um sinal inédito em matéria de direitos humanos: seu Governo anunciou que pretende anular a Lei de Anistia promulgada pela ditadura de Augusto Pinochet em 1978 e que permitiu que os crimes cometidos entre 1973 e essa data ficassem impunes." Aqui. (agradeço ao RC o envio da referência)

III Conferência Internacional do CEA/Programa preliminar

Não figuram ainda aspectos organizativos, componentes culturais específicos e nomes dos moderadores. Aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Próxima quinta-feira

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Para descolonizar e historicizar a "história natural" (2)

Segundo número da série. Herdámos do período colonial o belo e antigo Museu de História Natural. Ora, lá, hoje ainda, de forma clara, temos a equidade de estatuto natural de animais e humanos. Trabalhos de olaria e máscaras, por exemplo, são havidos como tão naturais quanto búfalos, leopardos e outros animais, são todos produto de história natural.

11 Setembro 2014

Abuso

Na cidade de Maputo é indiscutível o abuso na afixação descontrolada de cartazes de propaganda eleitoral, não importa onde - das acácias aos muros dos cemitérios -, de qualquer maneira, sujando a cidade, ferindo o bom senso.
Adenda às 17:29: confira aqui.

Para descolonizar e historicizar a "história natural" (1)

É tão tenaz quanto uma verruga, a crença, em certos círculos, de que pertence à mesma ordem da natureza o conjunto das vidas e dos actos dos animais e dos seres humanos. Asssim, tubarões, gazelas e máscaras da dança Mapiko - por exemplo - podem ser colocados ao mesmo nível irredutível do natural, da chamada história natural