O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Olá para todas e todos vós, obrigado por visitarem este diário, criado a 18 de Abril de 2006. Aqui encontrareis, diariamente, um pouco de tudo, do que gostais e do que não gostais. Sintam-se bem e regressem sempre. Índico abraço.
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25 abril 2015

Eles e nós: construção social do Outro num bairro da cidade de Maputo (7)

Sétimo número da série.
Moçambicanos
M., antigo secretário de bairro: "Estrangeiros apareceram neste bairro em 2003 e a maioria são Ruandeses e não Burundeses como as pessoas do bairro dizem (...). Eles estão mais preocupados com o negócio deles, desobedecendo totalmente as leis do país e eles vendem seus produtos nos dias feriados, nos sábados e nos domingos. (...) Aqui no bairro todos dedicam ao negócio e são eles que dominam o mercado. (...) aqui no bairro muita gente se interroga donde provém o dinheiro que esses estrangeiros usam para iniciar o negócio. É difícil explicar esta questão e convencer as pessoas, mas eu entendo que muitos desses estrangeiros têm familiares na Europa e na América e talvez sejam estes familiares que criam condições para eles iniciarem com seus negócios."

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1111, de 24/04/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

Mais um aniversário

Comemora-se hoje mais um aniversário da revolução dos cravos ocorrida em Portugal a 25 de Abril de 1974. Saiba aqui, veja aqui e recorde a canção do falecido cantor e compositor Zeca Afonso (leccionou muitos anos em Moçambique, em particular na cidade da Beira) que serviu de senha para o início da revolução que levou à queda da ditadura em Portugal e constituiu um passo importante para a independência de Moçambique a 25 de Junho de 1975.

24 abril 2015

O segredo dessa alma fugidia

Circulam palavras duras sobre a xenofobia na África do Sul, acumulam-se perguntas e respostas, chocam maus, bons e feios, andam erectos sentimentos e descrenças, desfraldada está a caixa de Pandora. O que falta, uma vez mais, é investigar o fenómeno em toda a sua amplitude histórica para além das invectivas, das cartas e da busca de bodes expiatórios. Depois, será a hora processual de encontrar e de aplicar as soluções que devem ir muito para além do recurso punitivo à polícia, ao exército e aos tribunais. A maldade e a bondade não nascem connosco: surgem em nós consoante processos sociais e cadências históricas. O que mais falta na humanidade é aprender a aprender o segredo dessa alma, fugidia e, com frequência, prepotente e letal.

No prelo segunda edição

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique (4)

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Quarto número da série. Passo ao terceiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3. Causas e precipitantes. Admitamos que tudo na vida e na sociedade está em relação e que ocorrendo o fenómeno A ou um conglomerado de fenómenos A, é muito possível que surja o fenómeno B ou um conglomerado de fenómenos B. Se admitirmos essa premissa relacional, aceitaremos que a xenofobia tem uma causa ou tem várias causas reunidas num dado fenómeno. No tocante à África do Sul, surgiram correntes defendendo que foi o rei zulu, Goodwill Zwelithini, quem despoletou a violência xenófoba. Porém, o rei não deve ser considerado como uma causa, mas como um dos precipitantes, um dos aceleradores, um dos reagentes de fenómenos socialmente latentes e que geraram os movimentos 3 e 4 sugeridos no número anterior. Nesta série vou tentar propor algumas situações, conjunturais umas, estruturais outras, que, unidas, têm gerado os movimentos xenófobos na África do Sul, por exemplo em 2008, 2010 e agora este ano.

Eles e nós: construção social do Outro num bairro da cidade de Maputo (6)

Sexto número da série. Entro agora nos depoimentos de Moçambicanos.
Moçambicanos
J., proprietário de uma barraca: "Nós temos casos aqui no bairro em que os nossos cidadãos trabalham com Burundeses em condições desumanas e são chutados de qualquer maneira e quando reivindicam aparecem outros cidadãos moçambicanos a defender o estrangeiro. (...) Os Burundeses socialmente não são boas pessoas, eles têm um buraco imaginário que a gente não entende e só estamos a assistir que eles evitam ao máximo relacionarem-se com os naturais (...)".

23 abril 2015

Nyusi consolida posição

No "O País" digital de hoje: "À medida que o tempo passa, o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, vai ganhando o compasso e começa a marcar, verdadeiramente, o seu território." Aqui.

Eles e nós: construção social do Outro num bairro da cidade de Maputo (5)

Quinto número da série. Prossigo com mais um depoimento.
Estrangeiros
Comerciante ruandês: "Nós não temos problemas com Moçambicanos. (...) O único problema que temos aqui é com a polícia municipal. Eles não trabalham bem, não nos deixam trabalhar no fim-de-semana. Nos sábados e domingos temos tido muitos problemas com eles e também com jovens. Os jovens nos insultam e dizem que temos de voltar para o nosso país. Eles falam isso principalmente nas sextas e sábados, porque são os dias que bebem muito e consomem drogas. Eles chegam mesmo de bater com pedras na minha loja".

22 abril 2015

Polícia linchado na Zambézia após líder ser acusado de ter crocodilo assassino

De acordo com Costa Injai, administrador do distrito de Nicoadala, citado pelo "Diário da Zambézia", um polícia foi ontem assassinado na localidade de Licuar, povoado de Nawenjane, distrito de Nicoadala, província da Zambézia. Pessoas enfurecidas dirigiram-se a casa de um líder comunitário de terceiro escalão, de nome Victor Mucale, alegando ser proprietário de um crocodilo que matou uma criança de 14 anos no rio Licuar. Mas, alertado, o líder fugiu. A polícia teve de agir e foi no decorrer dessa intervenção que - narra o "Diário da Zambézia" com data de amanhã -, as pessoas enfurecidas, armadas com catanas e paus, mataram um agente da polícia. Já estão detidos três presumíveis autores do assassinato. Neste momento Victor Mucale está protegido pela polícia. [título e texto do autor deste diário com base nas informações do "Diário da Zambézia" 1941, versão digital, de 23/04/2015].
Observação: o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano tem não só a tarefa de melhorar a qualidade do ensino no país mas, também, em múltiplos e delicados sectores, a tarefa de, gradualmente, sem tréguas, saber levar instituições e pessoas, de pequenas a grandes, não importam idade e estatuto social, a encontrar causas diferentes para os fenómenos.
Adenda às 20:20: segundo uma fonte do jornal citado, o funeral do polícia realiza-se amanhã na cidade de Quelimane.

Não há crise

Segundo o "O País" digital: "O programa aprovado, cujos detalhes não tivemos acesso, vai custar 1.2 bilião de meticais, o que representa um crescimento aproximado de 36% comparativamente ao ano passado, o último da VII legislatura." Aqui.
Observação: uma das mais utilizadas expressões populares em Maputo, misto de impotência e de ironia bonacheirona, é esta: não há crise. Lembre aqui.

Segunda edição de duas obras sobre linchamentos

Publicadas em 2008 (primeiro volume) e 2009 (segundo), as obras com as capas abaixo, há muito esgotadas, vão ser republicadas em volume único, segunda edição, pela Imprensa Universitária da Universidade Eduardo Mondlane.

Para reflectir

Reproduzido com a devida vénia daqui. A citação encontra-se no portal da Fundação da Paz Desmond Tutu, aqui. A tradução para português pode ser esta: "Se é neutral em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor. Se um elefante tem a pata em cima do rabo de um rato e você diz que é neutral, o rato não irá apreciar a sua neutralidade."

Eles e nós: construção social do Outro num bairro da cidade de Maputo (4)

Quarto número da série. Prossigo com mais um depoimento.
Estrangeiros
No estabelecimento de G., congolês, muito desconfiado: "(…) Moçambique é um bom país, embora existam pessoas que falam mal de estrangeiros, principalmente jovens bêbedos e drogados. Eles muitas vezes chegam nas nossas mercearias e começam a insultar-nos."

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique (3)

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Terceiro número da série. Passo ao segundo ponto do sumário proposto aqui, a saber: 2. Três fenómenos e quatro movimentos. Racismo, etnicismo e xenofobismo excluem pessoas. No racismo, actua-se com marcadores físicos do tipo cor da pele; no etnicismo, com marcadores simbólicos: língua, costumes, anterioridade de chegada a um território, heróis epónimos, etc.; no xenofobismo, com marcadores simbólicos alargados ao nível de uma nação. É racista quem defende a superioridade sócio-genética de um grupo; é etnicista quem defende a superioridade da sua etno-comunidade de origem; é xenofobista quem defende a supremacia da sua nação. Nos três fenómenos podemos encontrar os seguintes quatro movimentos: Primeiro: atribuição a outrem de um nome, de uma identidade. Movimento sem perigo. Segundo: atribuição ao nome ou à identidade de outrem de uma qualidade negativa; premissas de hostilidade. Terceiro: hostilização de outrem sem aniquilamento, mas com actos que podem ir até à agressão; hostilidade parcial. Quarto: aniquilamento de outrem, hostilidade total.

21 abril 2015

Irmãos

Irmãos é uma palavra constante nas intervenções do Presidente da República, Eng.º Filipe Nyusi.

Nyusi sobre a unidade do país

O Presidente da República, Eng.º Filipe Nyusi, em visita à província de Maputo, disse hoje que os Moçambicanos não devem perder tempo a discutir como dividir o país - jornal da noite da "Rádio Moçambique" às 19:30.

O grande pilhanço

A morte por cólera de um doente em Quelimane levou a um conflito de interpretações do qual se aproveitaram vários oportunistas para pilhar um centro de tratamento de cólera na cidade de Quelimane, tal como documenta a imagem, roubando - segundo o "Diário da Zambézia" digital - "todos bens, tais como baldes, bancos, colchões entre outro material, forçando os voluntários dos Médicos Sem Fronteira (MSF) a refugiarem-se na 1.ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique." Leia aqui. Entretanto, de acordo com o mesmo jornal, a polícia já deteve os ladrões e recuperou parte dos bens roubados. Aqui.
Adenda às 07:58: o director do "Diário da Zambézia" critica hoje o edil de Quelimane no Facebook, saiba em quê e porquê aqui.
Adenda 2 às 08:16: confira a notícia do pilhanço também aqui.

Eles e nós: construção social do Outro num bairro da cidade de Maputo (3)

Terceiro número da série. Prossigo com mais um depoimento.
Estrangeiros
P.: "(…) em qualquer parte do mundo é assim, o estrangeiro é tratado assim, quer na Europa, quer na América. Portanto, o que dizem contra nós e nós entendemos que somos estrangeiros. (…) De uma maneira geral os Moçambicanos tratam-nos como Burundeses, mas somos Ruandeses. Nós aceitamos esse tratamento para evitarmos problemas, embora saibamos que aqui no bairro não existem pessoas do Burundi (…) Quando aconteceu o problema da xenofobia na África do Sul, passámos um bocado mal, porque as pessoas falavam mal de nós e até aqui na minha casa serviu como local de esconderijo de viaturas de todos os ruandeses que residem no bairro (…). Tínhamos medo que os nossos carros fossem apedrejados pelos jovens marginais. (…) Eu fui objecto de emboscada por duas vezes (….)”

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique (2)

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Segundo número da série. Entro de imediato no primeiro ponto do sumário proposto no número inaugural, a saber: 1. Sobre analisar. Vão seguir-se nesta série algumas hipóteses de análise do delicado problema da xenofobia. É frequente confundir análise com tomada de posição sobre um determinado fenómeno, com postura normativa, com juízo de valor. Por isso acho sensato recordar um texto postado neste diário anteontem, a saber: "Quando um médico manda fazer um raio x a um paciente que tem um problema num determinado órgão interno, não tem por preocupação saber se esse órgão é bom ou mau, feio ou bonito, mas saber o que o afecta para, depois, iniciar a terapia. A função dos estudantes do social é um pouco como a dos médicos: consiste em analisar fenómenos, vasculhar as suas cavidades, encontrar causas e consequências, podendo acontecer que os decisores (que não são eles) tomem medidas na sequência dos resultados obtidos. Portanto, a sua função não consiste em saber se os fenómenos são bons ou mais, feios ou bonitos. Estudantes do social são obviamente cidadãos e cidadãos são regidos por princípios e regras morais, diferentes que uns e outras sejam. Mas quando estudam fenómenos sociais fazem-no (ou devem fazê-lo) como estudantes e não como cidadãos. Nenhuma ciência é possível quando se confunde estudo e moral e se pede àquele que seja esta. Ou vice-versa. O ser não é o dever ser, o juízo de facto não é (ou não deve ser) o juízo de valor. Analisar não significa estar de acordo ou em desacordo com o que quer que seja. Este é, hoje ainda, um dos maiores desafios da história científica da humanidade." Aqui.

Cinco condições de paz política em Moçambique (11)

"Em 1970, quando os três astronautas da Apollo 13 estavam tentando descobrir como levar sua nave danificada de volta para a terra, eles estavam envolvidos em um jogo claramente de soma não zero, porque o resultado seria igualmente bom para todos eles ou ruim para todos eles." [aqui]
Décimo primeiro número da série. Permaneço no terceiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3. Cinco condições de paz política em Moçambique, entrando no penúltimo subponto, a saber: 3.3. Treino das forças de defesa e segurança nos direitos humanos. Estamos agora confrontados com um tema delicado. No que toca à polícia, regularmente a nossa imprensa dá conta, entre outros, de dois tipos de fenómenos: 1. Utilização abusiva da força dissuasora, 2. Participação em actos criminosos.
Nota: fico grato a todas aquelas e a todos aqueles que queiram contribuir para o tema, criticando e melhorando as linhas de visão e análise que irão surgindo aqui.

20 abril 2015

Xenofobia: Cerca de 400 Moçambicanos esperados em Boane

Segundo o "Jornal de Notícias" digital, "Cerca de 400 moçambicanos fugidos da violência xenófoba na África do Sul são esperados na terça-feira no centro de trânsito de Boane, sul de Moçambique." Aqui.

No "Savana" 1110 de 17/04/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Eles e nós: construção social do Outro num bairro da cidade de Maputo (2)

Segundo número da série. Propus no número anterior que fizessemos as seguintes perguntas: como é que os Moçambicanos constroem os estrangeiros? E como é que os estrangeiros constroem os Moçambicanos? Vou deixar aqui pequenos extractos de entrevistas feitas num bairro da periferia da cidade de Maputo em 2009 por um dos meus assistentes.
Estrangeiros
JO, comerciante ruandês: "(…) eu não tenho nenhum problema com Moçambicanos, embora existam pequenos casos que considero serem normais. Em princípio, os Moçambicanos tratam-nos como Burundeses, mas nós viemos do Ruanda. Às vezes aparecem pessoas que dizem que vocês Burundeses não são nada e expressam assim para nos gozar. Quando nós ouvimos isso, não nos preocupamos, porque sabemos que mesmo entre vocês, Moçambicanos, se desprezam. Os que vieram do norte são chamados xingondos. Quanto eu estava em Nampula as pessoas da cidade desprezavam os que vinham dos distritos, dizendo que vocês de Mogovolas, de Angoche, não são nada."

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique (1)

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Acho um bom método organizar as ideias e as hipóteses que aqui serão expostas de acordo com o seguinte sumário:
1. Sobre analisar
2. Três fenómenos e quatro movimentos
3. Causas e precipitantes
3. África do Sul 2008, 2010 e 2015
  3.1. Síndrome da história metropolitana
  3.2. Síndrome da comparação pós-apartheid
  3.3. Xenofobia, shangaanfobia, pogroms
4. Moçambique 2006, 2007 e 2010
 4.1. Síndrome da rarefação (dignidade, sobrevivência, pão e chapas)
  4.2. Bairro T3 na Matola/Agosto de 2006
  4.3. Nampula/Março de 2007
  4.4. Xiquelene/Maputo/Janeiro de 2010
  4.5. Matola e Maputo/Setembro de 2010
  4.6. Resultados de uma pesquisa de 2009
 5. Sobre os ataques a comerciantes na África do Sul e em Moçambique
 6. O que distingue a África do Sul de Moçambique
 7. O imperativo regional de um Estado social
Nota: sugiro leiam um  texto de Achille Mbembe aqui [agradeço ao AJ ter-me chamado a atenção para ele].

19 abril 2015

Edição de amanhã

Nyusi, Isaura e do Rosário: diferenças no Facebook

A página do Presidente da República, Filipe Nyusi, no Facebook, parou no dia 15 de Janeiro, verifique aqui. A página da Primeira-Dama, Isaura Nyusi, está actualizada, mas com o senão de se apresentar como produto do "Gabinete da Esposa do candidato da Frelimo" quando as eleições realizaram-se em Outubro do ano passado. Aqui. Finalmente, muito activa e frequentada está a página do Primeiro-Ministro, Carlos do Rosário, aqui.

Entre analisar e moralizar

Quando um médico manda fazer um raio x a um paciente que tem um problema num determinado órgão interno, não tem por preocupação saber se esse órgão é bom ou mau, feio ou bonito, mas saber o que o afecta para, depois, iniciar a terapia.
A função dos estudantes do social é um pouco como a dos médicos: consiste em analisar fenómenos, vasculhar as suas cavidades, encontrar causas e consequências, podendo acontecer que os decisores (que não são eles) tomem medidas na sequência dos resultados obtidos. Portanto, a sua função não consiste em saber se os fenómenos são bons ou mais, feios ou bonitos.
Estudantes do social são obviamente cidadãos e cidadãos são regidos por princípios e regras morais, diferentes que uns e outras sejam. Mas quando estudam fenómenos sociais fazem-no (ou devem fazê-lo) como estudantes e não como cidadãos. Nenhuma ciência é possível quando se confunde estudo e moral e se pede àquele que seja esta. Ou vice-versa. O ser não é o dever ser, o juízo de facto não é (ou não deve ser) o juízo de valor. Analisar não significa estar de acordo ou em desacordo com o que quer que seja.
Este é, hoje ainda, um dos maiores desafios da história científica da humanidade.

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique

Fotos falsas deturpam violência xenófoba

Um trabalho da "Eyewitness News" com o título em epígrafe exibe fotos falsas que têm sido utilizadas  na mídia social para documentar a violência xenófoba na África do Sul. Aqui. [agradeço à MS o envio da referência]
Observação: nas redes sociais digitais e no tocante a Moçambique, circularam várias das fotos mostradas. Permitam-me recordar o que, anteontem, em texto meu neste diário, escrevi: "Com regularidade, tenho chamado a atenção para os rumores, espontâneos e intencionais, que surgem em situações dramáticas como no caso da xenofobia. Mas importa, também, chamar a atenção para a utilização de imagens chocantes que, com sensacionalismo descarado, são colocadas a eito nas redes sociais digitais sem indicação de autor, contexto e período histórico." Aqui.
Adenda às 05:53: entretanto, confira as mais recentes notícias sobre a violência xenófoba aqui.

Eles e nós: construção social do Outro num bairro da cidade de Maputo (1)

Representações sociais são sempre fenómenos merecedores de atenção. Deixemos um pouco os problemas da África do Sul e façamos as seguintes perguntas: como é que os Moçambicanos constroem os estrangeiros? E como é que os estrangeiros constroem os Moçambicanos? Vou deixar aqui pequenos extractos de entrevistas feitas num bairro da periferia da cidade de Maputo em 2009 por um dos meus assistentes. Começarei pelos estrangeiros, tarefa sempre muito difícil, pois regra geral recusam falar, dizendo que não querem problemas. Bairro e nomes dos entrevistados foram eliminados. Caso possa, leia o livro com a capa abaixo. Finalmente: recorde o que se passou em Setembro de 2010 na Matola e na cidade de Maputo, aqui.

Capacidade mediúnica de Dhlakama

Segundo a "Folha de Maputo" digital: "O líder da Renamo Afonso Dhlakama, prometeu ontem [dia 12, CS] na província de Manica, no centro do país, triplicar o actual salário mínimo nas províncias autónomas que o seu partido pretende criar."
Adenda: sem comentários perante tanta capacidade mediúnica.